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Anais

Resumo do trabalho

Gestão Socioambiental · Gestão Ambiental

Título

Quem Financia Define o Comportamento? Influência da Estrutura de Capital no Desempenho ESG em Economias Emergentes

Palavras-chave

Estratégias de financiamento Desempenho ESG Empresas de economias emergentes
Agradecimento: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) – Processo 735/2024.

Autores

  • SADY MAZZIONI
    UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ (UNOCHAPECÓ)
  • Ilse Maria Beuren
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Caroline Keidann Soschinski
    UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ (UNOCHAPECÓ)

Resumo

Introdução

Em meio às crescentes preocupações globais com sustentabilidade, mudanças climáticas, equidade social e governança responsável, um fluxo da pesquisa gerencial vem investigando fatores explicativos para o desempenho ESG (ex. Baldini et al., 2018; Zeng et al., 2023; Zhao & Zhang, 2024). Argumenta-se que as pressões para apresentar um bom desempenho ESG variam de acordo com os interesses principais das fontes de financiamento utilizadas pelas empresas. Apesar disso, os efeitos da estrutura de capital têm sido pouco explorados na literatura gerencial (Zamil et al., 2021; Al Amosh et al., 2024).

Problema de Pesquisa e Objetivo

Em consonância com os pressupostos da Teoria da Agência, um maior nível de divulgação de informações ESG está associado a uma menor assimetria de informação entre as empresas tomadoras de financiamento e as instituições de crédito (Eliwa et al. 2021), permitindo mitigar conflitos de agência e reduzir o risco para os credores (Aman & Nguyen, 2013).
Problema de pesquisa: Qual a influência da estrutura de capital sobre o desempenho ESG de empresas em economias emergentes?
Objetivo: analisar a influência da estrutura de capital sobre o desempenho ESG de empresas em economias emergentes.

Fundamentação Teórica

Empresas que operam com endividamento elevado podem adotar práticas ESG como resposta aos interesses de diversos stakeholders, incluindo os credores, que tendem a classificar essas empresas com baixo risco de falência, boa reputação, transparência e alta governança (Huang & Ye, 2021). Empresas financiadas com capital próprio buscam aumentar o desempenho ESG para reduzir as assimetrias informacionais, reduzir os custos de informação e aumentar o acompanhamento dos analistas e a confiança dos investidores, provocando a redução do custo do capital próprio (Maama & Marimuthu, 2021).

Metodologia

A população da pesquisa compreendeu as empresas disponíveis na base Refinitiv Eikon®, sediadas em 24 economias classificadas como emergentes pela Morgan Stanley Capital Internacional (MSCI, 2023). O período da coleta considerou os anos entre 2016 e 2023. Para a composição da amostra, foram excluídas as empresas sem classificação no escore ESG, as empresas do setor financeiro e aquelas com dados faltantes. Após os procedimentos adotados, a amostra resultou em 12.738 observações de 2.665 empresas. A análise utilizou dados em painel desbalanceado com controles específicos de ano, setor e país.

Análise dos Resultados

Os achados sugerem que, em média, empresas com menor proporção de capital próprio (SER), apresentam desempenho ESG mais elevado. Gestores de empresas financiadas com capital próprio podem ter propensão para projetos com resultados de visibilidade financeira mais imediata, na presunção que investimentos em ESG são onerosos e parecem atender interesses próprios (Johnson, 2020). Embora as dívidas onerosas tenham apresentado indícios de atuar como um mecanismo disciplinador para restringir o uso de recursos discricionários (Jensen & Meckling, 1976), o efeito não é significante.

Conclusão

Empresas financiadas de forma mais ampla por capital dos proprietários sofrem pressões mais brandas para assumir compromissos com projetos que podem envolver resultados difusos e de prazos mais longos. O volume de dívidas onerosas demonstrou atuar como mecanismo disciplinador e restritivo ao uso de recursos discricionários para melhorar o desempenho ESG em ambientes específicos. A concentração de dívidas onerosas no curto prazo pode revelar o comportamento dos credores, em privilegiar a liquidez em detrimento de práticas voluntárias ou a inovação em práticas ESG.

Contribuição / Impacto

Os financiadores, especialmente as instituições financeiras, desempenham um papel relevante no fornecimento de capital aos negócios. Para esses, os achados fornecem subsídios que facilitam o processo e reduzem custos de financiamento para empresas com preocupações de sustentabilidade. Aos gestores, os resultados contribuem na tomada de decisões de financiamento mais apropriadas, com vistas em garantir a competitividade da empresa. Aos formuladores de políticas, os resultados fornecem insights para direcionar o desempenho não financeiro das empresas e estimular a melhoria do desempenho ESG.

Referências Bibliográficas

Baldini, M., Maso, L.D., Liberatore, G., Mazzi, F., & Terzani, S. (2018). Role of country-and firm-level determinants in environmental, social, and governance disclosure. Journal of Business Ethics, 150, 79-98. https://doi.org/10.1007/s10551-016-3139-1
Al Amosh, H., Khatib, S.F., Alkurdi, A., & Bazhair, A.H. (2024). Capital structure decisions and environmental, social and governance performance: insights from Jordan. Journal of Financial Reporting and Accounting, 22(4), 972-989.https://doi.org/10.1108/JFRA-12-2021-0453

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