Anais
Resumo do trabalho
Marketing · Cultura e Consumo
Título
ENTRE SABORES, EXPERIÊNCIAS E EMOÇÕES: O CONSUMO DE CAFÉS DO CERRADO MINEIRO SOB A PERSPECTIVA DOS CONSUMIDORES
Palavras-chave
Consumo
Economia da experiência
Cafés especiais
Agradecimento:
Agradecemos à Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e ao PPGAdm UFU/FAGEN.
Autores
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Lara Luíza Silva FerreiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
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CINTIA RODRIGUES DE OLIVEIRAUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
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André Francisco Alcântara FagundesUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
Resumo
Introdução
A partir da década de 1980, o consumo passou a ser compreendido por suas dimensões sensoriais, emocionais, cognitivas, comportamentais e relacionais (Holbrook & Hirschman, 1982; Schmitt, 1999). No contexto da Economia da Experiência (Pine II & Gilmore, 1999, 2020) e das Ondas do Café (Skeie, 2002; Guimarães, 2016), observa-se que as experiências em cafeterias têm sido cada vez mais procuradas pelos consumidores, especialmente no pós-pandemia (Leão, 2014).
Problema de Pesquisa e Objetivo
A questão deste artigo é: como a economia de experiência se manifesta nas avaliações de consumidores da cafeteria Dulcerrado? O objetivo é compreender como a economia da experiência se manifesta nas avaliações de consumidores da cafeteria Dulcerrado.
Fundamentação Teórica
O consumo envolve experiências sensoriais e emocionais, ultrapassando aspectos racionais (Holbrook & Hirschman, 1982; Schmitt, 1999). A Economia da Experiência valoriza eventos memoráveis e personalizados que permitam explorar vivências de entretenimento, educação, escapismo e estética (Pine II & Gilmore, 1999, 2020). As Ondas do Café demonstram a evolução dos consumidores na apreciação do café ao longo do tempo, destacando o movimento crescente de busca por experiências personalizadas e customizadas (Skeie, 2002; Guimarães, 2016; Girardi, 2023; Antoni, 2024).
Metodologia
A pesquisa é qualitativa (Richardson, 2012) e utilizou observação não participante (Flick, 2004) de 84 comentários de consumidores da cafeteria Dulcerrado no TripAdvisor. Após análise de conteúdo (Bardin, 2016), 52 comentários compuseram o corpus. As categorias emergiram da literatura e dos Quatro Reinos da Experiência de Pine II & Gilmore (2020): entretenimento, educação, estética e escapismo. A cafeteria foi escolhida por seu pioneirismo em cafés especiais no Cerrado Mineiro (Costa, 2024).
Análise dos Resultados
As experiências na cafeteria apresentam características dos quatro reinos: entretenimento (memórias afetivas – Costa et al., 2024, Pine II, 2023), educação (aprendizado sobre cafés, métodos e busca por replicar experiência em casa – Schimitt, 1999, Pine II & Gilmore, 2020), escapismo (fuga da rotina e apreciação da própria cia – Pine & Gilmore, 1999b) e estética (ambiente agradável– Marinho et al., 2017). As emoções incluem prazer sensorial, encantamento, satisfação e conexão social (Costa et al., 2024), reforçando o consumo como um processo interativo, sinestésico e permeado por significados.
Conclusão
A cafeteria Dulcerrado oferece experiências alinhadas aos quatro reinos propostos por Pine II & Gilmore (2020), proporcionando vivências sensoriais, cognitivas, emocionais e sociais (Schimitt, 1999). As interações revelam que o consumo de café vai além do funcional, sendo simbólico e afetivo (Schmitt, 1999; Holbrook & Hirschman, 1982), refletindo os avanços das Ondas do Café e a busca por experiências significativas e transformadoras (Guimarães, 2016; Girardi, 2023).
Contribuição / Impacto
Teórica, ao permitir o diálogo entre a teoria da Economia da Experiência, integrando-o as Ondas do Café, ao Marketing Experiencial e a Sociologia das Emoções; prática e gerencial, permitindo orientar estratégias que proporcionem experiências cada vez mais significativas nas cafeterias e; sociais, demonstrando o potencial de integração entre café, turismo, memória e cultura, abrindo caminhos para o desenvolvimento regional e do segmento analisado.
Referências Bibliográficas
Guimarães, E. R. (2016). Terceira Onda do café: Base conceitual e aplicações (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.
Holbrook, M., Hirschman, E. (1982). The Experiential Aspects of Consumption: Consumer Fantasies, Feelings, and Fun. Journal of Consumer Research, 9, 132-140.
Pine II, B. J. & Gilmore, J. H. (2020). The experience economy: competing for customer time, attention, and money: Boston, Massachusetts: Harvard Business Review Press.
Schmitt, B. (1999). Experiential Marketing. Journal of Marketing Management, 15, 53-67.
Holbrook, M., Hirschman, E. (1982). The Experiential Aspects of Consumption: Consumer Fantasies, Feelings, and Fun. Journal of Consumer Research, 9, 132-140.
Pine II, B. J. & Gilmore, J. H. (2020). The experience economy: competing for customer time, attention, and money: Boston, Massachusetts: Harvard Business Review Press.
Schmitt, B. (1999). Experiential Marketing. Journal of Marketing Management, 15, 53-67.