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Resumo do trabalho

Artigos Aplicados · Administração Pública

Título

EFEITOS DA PANDEMIA NA TAXA DE ABANDONO DE ESTUDANTES COTISTAS E NÃO COTISTAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

Palavras-chave

Desigualdade social Cotas raciais Covid-19

Autores

  • Felipe Tadeu Araujo de Miranda
  • Felipe Nathan Ferreira dos Santos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
  • Ana Cecília de Almeida
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)

Resumo

Introdução

O estudo investiga os efeitos da pandemia de COVID-19 nas taxas de abandono no primeiro ano de curso entre estudantes cotistas e não cotistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), entre 2016 e 2021. A pesquisa parte do reconhecimento das desigualdades sociais e do racismo estrutural no Brasil, que impactam o acesso e a permanência no ensino superior. O objetivo é compreender como a pandemia afetou esses grupos, especialmente os cotistas raciais, e avaliar a eficácia das políticas de ação afirmativa diante de choques externos.

Contexto Investigado

A Lei de Cotas (12.711/2012) ampliou o acesso de grupos historicamente marginalizados ao ensino superior, mas desafios persistem quanto à permanência desses estudantes. A pandemia agravou vulnerabilidades já existentes, como dificuldades econômicas, falta de infraestrutura para o ensino remoto e sobrecarga acadêmica. O estudo analisa como essas condições afetaram as taxas de abandono, com foco especial nos cotistas raciais.

Diagnóstico da Situação-Problema

Antes da pandemia, as taxas de abandono entre cotistas raciais já eram superiores às dos estudantes da ampla concorrência. Com a chegada da pandemia, esperava-se um agravamento dessas disparidades. No entanto, os dados revelam que o impacto não foi imediato: em 2020, a taxa de abandono caiu, mas em 2021 houve um aumento expressivo, especialmente entre os cotistas raciais. Isso sugere um efeito cumulativo da crise sanitária sobre os estudantes mais vulneráveis.

Intervenção Proposta

A pesquisa utilizou uma abordagem quantitativa com dados da UFV, aplicando modelos de regressão linear para estimar os efeitos das modalidades de ingresso e suas interações com o período pandêmico. Três modelos econométricos foram utilizados para analisar a probabilidade de abandono, considerando variáveis como idade, renda, gênero, escolaridade dos pais e recebimento de auxílios institucionais.

Resultados Obtidos

Cotistas raciais têm maior probabilidade de abandono em relação à ampla concorrência.
Esse efeito foi estatisticamente significativo apenas para os ingressantes de 2021.
O recebimento de auxílios (moradia e alimentação) reduziu significativamente a chance de abandono.
A renda familiar mais elevada está associada a menor probabilidade de evasão.
A pandemia não aumentou de forma generalizada as desigualdades, mas teve impacto acentuado em 2021.

Contribuição Tecnológica-Social

O estudo oferece evidências empíricas sobre os efeitos da pandemia na permanência de estudantes cotistas, contribuindo para o aprimoramento das políticas de ação afirmativa. Reforça a importância de políticas de permanência robustas, especialmente em contextos de crise, e destaca a necessidade de apoio contínuo a estudantes em situação de vulnerabilidade. A pesquisa também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovendo educação de qualidade (ODS 4) e redução das desigualdades (ODS 10).

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