Anais
Resumo do trabalho
Estratégia em Organizações · Estratégia Competitiva
Título
Inovação disruptiva e isomorfismo mimético: um estudo comparativo de plataformas de streaming
Palavras-chave
Streaming
Inovação
Institucionalismo
Autores
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Maria Eduarda QuerinoFaculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo - FEA
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Clarissa Dourado FreireFaculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto - FEARP/USP
Resumo
Introdução
O surgimento do streaming transformou radicalmente o ecossistema do audiovisual, rompendo com o modelo tradicional de televisão linear. Em um cenário de transformação, as empresas buscam estratégias para manter a competitividade. Inovações disruptivas, como a Netflix, redefinem paradigmas ao criar mercados e transformar setores tradicionais. Com um modelo baseado em conveniência e personalização, a Netflix revolucionou o audiovisual, levando concorrentes consolidados a adotarem práticas semelhantes para se manterem relevantes frente às mudanças no consumo, produção e distribuição de conteúdo.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O streaming modifica a experiência midiática, reorganiza as temporalidades do consumo e altera as formas de percepção dos públicos. A inovação disruptiva da Netflix, reconfigura toda a lógica de produção, distribuição e consumo audiovisual. Logo, este trabalho buscou compreender como a empresa Netflix impactou o mercado de streaming, por meio da inovação como estratégia organizacional, a partir de seu modelo de negócio, analisando de forma comparativa como as plataformas Amazon Prime Video, Disney+, Globoplay e HBO Max reagiram a essa transformação, adotando diferentes formas de adaptação.
Fundamentação Teórica
Para a realização desse trabalho, adotou-se como lente teórica a teoria institucional, em que buscou-se investigar a presença de isomorfismo mimético, que ocorre quando organizações, diante de incertezas, passam a imitar modelos considerados bem-sucedidos, no caso analisamos o mercado de streaming tendo como referência a empresa Netflix, como uma inovação disruptiva, comparando plataformas concorrentes, uma vez que a adoção do modelo de streaming por essas plataformas não se deu apenas por pressões de mercado, mas também por uma busca por legitimidade institucional.
Metodologia
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo, com a utilização do método de estudo empírico. A análise foi conduzida com base em dados secundários, como relatórios corporativos, publicações e documentos públicos. Com a análise empírica, será construída uma linha do tempo comparativa que evidenciará quando as funcionalidades, estratégias e inovações introduzidas pela Netflix foram incorporadas por plataformas concorrentes, a fim de observar a existência do isomorfismo mimético.
Análise dos Resultados
Quando se analisa o campo organizacional sob a ótica do isomorfismo institucional torna-se evidente que a Netflix não apenas inovou, mas também institucionalizou um novo padrão, assumindo o papel de organização de referência. Suas funcionalidades, estruturas e estratégias passaram a ser amplamente legitimadas e imitadas, observando um processo de isomorfismo mimético. Assim, compreender suas características centrais foi fundamental para analisar como as demais plataformas, moldaram suas próprias trajetórias em resposta à pressão e mudança do mercado provocadas pela Netflix.
Conclusão
A migração do modelo linear para o modelo de streaming tornou inevitável a reinvenção organizacional. Este trabalho evidenciou que a Netflix, não apenas inovou no modelo de negócio, mas também estabeleceu um conjunto de práticas, estruturas e funcionalidades que passaram a ser amplamente legitimadas, bem como reproduzidas por outras empresas. Dessa forma, o trabalho evidencia que a Netflix não apenas impulsionou uma mudança estrutural no mercado televisivo, como também exerceu pressão sobre empresas consolidadas, para que adotassem um modelo de negócio semelhante.
Contribuição / Impacto
A pesquisa contribui ao evidenciar como o streaming, enquanto inovação tecnológica, transformou não apenas os mercados, mas também a forma de operar das empresas, exigindo adaptações em suas práticas, rotinas e estruturas. Socialmente, o estudo proporciona uma compreensão aprofundada das mudanças culturais decorrentes desse processo, revelando como os novos modos de consumo impactam hábitos e comportamentos organizacionais.
Referências Bibliográficas
CHRISTENSEN, Clayton M. The innovator's dilemma: when new technologies cause great firms to fail. Boston: Harvard Business School Press, 1997.
DIMAGGIO, P. J.; POWELL, W. W. The iron cage revisited: Institutional isomorphism and collective rationality in organizational fields. American Sociological Review, 1983.
LOTZ, Amanda D. Portals: A treatise on internet-distributed television. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2017.
TIDD, Joe; BESSANT, John; PAVITT, Keith. Gestão da inovação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.
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