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Anais

Resumo do trabalho

Gestão Socioambiental · Gestão Ambiental

Título

COLONIALISMO VERDE E SUSTENTABILIDADE GLOCAL NO SETOR DE ENERGIA EÓLICA OFFSHORE: Revisão Narrativa e Agenda de Estudos Futuros

Palavras-chave

Colonialismo verde Sustentabilidade Glocal Cadeia Global de Valor

Autores

  • Rikelme Sales da Silva
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • TATIANE DE SOUSA SERAFIM
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Márcia Zabdiele Moreira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Resumo

Introdução

A energia eólica offshore emerge como alternativa estratégica na transição energética global. No entanto, sua expansão revela contradições, como a dependência tecnológica do Sul Global e a apropriação corporativa de territórios. O artigo propõe uma revisão crítica da literatura para identificar como as multinacionais reproduzem práticas de colonialismo verde nas cadeias globais de valor (CGVs), desafiando a retórica de sustentabilidade.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O estudo investiga como a literatura evidencia o papel das multinacionais na reprodução do colonialismo verde nas CGVs da energia eólica offshore. O objetivo é identificar, por meio de revisão narrativa, padrões de dominação e exclusão que comprometem a justiça socioambiental, destacando a contradição entre os discursos sustentáveis e as práticas extrativistas do setor energético global.

Fundamentação Teórica

O arcabouço teórico articula colonialismo verde, justiça energética e CGVs. Essa base revela como a sustentabilidade é instrumentalizada para manter assimetrias geopolíticas, especialmente no Sul Global. Autores como Imam et al. (2024) e Gorayeb et al. (2021) mostram que o discurso sustentável mascara a extração de valor e a marginalização de comunidades locais, reforçando práticas de espoliação ambiental.

Discussão

A análise mostra que o setor eólico offshore reproduz desigualdades estruturais em três dimensões: tecnológica, econômica e socioambiental. Multinacionais detêm controle sobre tecnologia e lucros, enquanto comunidades costeiras enfrentam exclusão e perdas territoriais. A apropriação discursiva da sustentabilidade, aliada à governança centralizada, reforça a lógica colonial sob um verniz verde.

Conclusão

O estudo conclui que a energia eólica offshore, apesar de seu potencial sustentável, reproduz padrões de dominação. A dependência tecnológica, a marginalização social e a exploração ambiental desafiam a noção de uma transição justa. A superação dessas desigualdades requer mudanças estruturais nas cadeias de valor, com ênfase na equidade, participação local e descolonização do setor.

Contribuição / Impacto

A pesquisa contribui ao revelar os limites da transição energética baseada apenas em métricas de descarbonização. Propõe uma abordagem crítica que integra epistemologias do Sul, justiça territorial e sustentabilidade glocal. Além de sistematizar evidências, a revisão orienta novas investigações sobre governança inclusiva e soberania energética em países periféricos.

Referências Bibliográficas

GORAYEB, Adryane et al. Emerging challenges of offshore wind energy in the Global South: Perspectives from Brazil. Energy Policy, v. 158, p. 112553, 2021. DOI: 10.1016/j.enpol.2021.112553.
IMAM, M.; TIJJANI, C. Dismantling green colonialism: energy and climate justice in the Arab region. Journal of Global Economics and Business, 2024. DOI: 10.58934/jgeb.v5i17.257.

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