Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Políticas, Modelos e Práticas de gestão de pessoas
Título
CONFIGURAÇÃO DA GESTÃO DE TALENTOS NO ESPORTE BRASILEIRO: evidências das modalidades olímpicas e paraolímpicas de Judô e Natação
Palavras-chave
Modelo de gestão de talentos esportivos
Atletas olímpicos e paraolímpicos
Competências
Autores
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Luiz Fernando de Sousa MielliUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
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Edson Keyso de Miranda KuboUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
Resumo
Introdução
Diante da escassez de pesquisas que abordam o modelo de Gestão de Talentos no esporte, este artigo se propôs a realizar uma pesquisa qualitativa acerca das práticas de Gestão de Talentos nas organizações esportivas brasileiras, nas perspectivas dos gestores e dos atletas olímpicos e paraolímpicos. Observou-se a necessidade de compreender as práticas e o modo como atração, desenvolvimento de competências (soft skills e hard skills) e retenção de talentos esportivos é feito no contexto brasileiro, devido aos desafios inerentes à realidade brasileira em termos de investimentos e inclusão.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A escolha deste tema foi motivada pela escassez de estudos no contexto brasileiro sobre gestão de talentos esportivos e suas características relevantes. Da revisão da literatura observou-se a existência do modelo emergente de Hassan et al. (2022), que é o modelo internacional mais atual de gestão de talentos esportivos em países emergentes. Elaborou-se como problema de pesquisa: De que modo se configura a gestão de talentos nas organizações esportivas brasileiras ? A presente pesquisa teve como objetivo: Analisar como se configura a gestão de talentos nas organizações esportivas brasileiras.
Fundamentação Teórica
A gestão de talentos esportivos envolve múltiplas dimensões, incluindo treinamento técnico, suporte psicológico e social (Di Prima et al., 2024; Fernandes et al., 2023; Jooss et al., 2024; Thakurta, 2025; Vecchi et al., 2021). Pesquisas mostram que a motivação intrínseca de atletas é influenciada pelo apoio oferecido por treinadores, familiares e organizações (Miles et al., 2024; Ryan & Deci, 2017). O modelo de Hassan et al. (2022) oferece uma abordagem estruturada e dinâmica para o modelo de gestão de talentos, baseada em uma realidade de país emergente tal qual o Brasil.
Metodologia
Esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e contemplou entrevistas com gestores, atletas olímpicos e atletas paraolímpicos de três grandes organizações esportivas do país, totalizando 24 entrevistas semiestruturadas, que foram analisadas por meio do software Atlas TI.23, a partir da técnica de análise de conteúdo. As entrevistas, transcritas seguiram rigorosamente os processos de codificação e análise dos dados, além da identificação e validação das categorias (Abeysekera, 2010). Esta pesquisa também foi aprovada em Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
Análise dos Resultados
Os resultados reforçam que embora o modelo internacional seja parcialmente aplicável ao contexto esportivo brasileiro, exigem-se adaptações que considerem suas particularidades sociais, estruturais e emocionais. As categorias ajudaram a compreender como a gestão de talentos esportivos é realizada no Brasil para atletas olímpicos e paraolímpicos, fornecendo uma base para melhorar as estratégias de atração, desenvolvimento e retenção de talentos nas organizações esportivas. Não obstante, ainda existem desafios a serem superados, como a ausência de políticas públicas e a falta de investimentos.
Conclusão
Observou-se que o modelo de gestão de talentos esportivos brasileiro segue parcialmente o modelo de Hassan et al. (2022). Esse modelo atende apenas aos atletas considerados talentos esportivos nacionais e uma organização esportiva privada, que foi a Federação Aquática Paulista. Observou-se também que há diferenças entre a gestão de talentos de atletas olímpicos e paraolímpicos no Brasil, em que os paraolímpicos tendem a ter menor exposição e condições mais precárias.
Contribuição / Impacto
O artigo revelou que não há equidade entre atletas olímpicos e paraolímpicos em termos de exposição da imagem, recebimento de benefícios e ganhos financeiros, sendo os paraolímpicos subdimensionados em comparação aos olímpicos. O artigo também contribuiu socialmente para identificar melhorias cabíveis nas fases da gestão de talentos que possam subsidiar políticas públicas inclusivas e de ajustes no esporte brasileiro. A contribuição tecnológica está atrelada ao diagnóstico da infraestrutura esportiva e o arcabouço dos clubes que se propõe à gestão de talentos esportivos.
Referências Bibliográficas
Hassan, Y., Pandey, J., Varkkey, B., Sethi, D., & Scullion, H. (2022). Understanding talent management for sports organizations-Evidence from an emerging country. INTERNATIONAL JOURNAL OF HUMAN RESOURCE MANAGEMENT, 33(11), 2192-2225. https://doi.org/10.1080/09585192.2021.1971736
Jooss, S., Collings, D., McMackin, J., & Dickmann, M. (2024). A skills-matching perspective on talent management: Developing strategic agility. HUMAN RESOURCE MANAGEMENT, 63(1), 141-157. https://doi.org/10.1002/hrm.22192
Jooss, S., Collings, D., McMackin, J., & Dickmann, M. (2024). A skills-matching perspective on talent management: Developing strategic agility. HUMAN RESOURCE MANAGEMENT, 63(1), 141-157. https://doi.org/10.1002/hrm.22192