Anais
Resumo do trabalho
Empreendedorismo · Redes de Empreendedores, Desenvolvimento Regional e Microempreendedorismo
Título
INFLUÊNCIA DO NÍVEL DE EMPREENDEDORISMO NO CRESCIMENTO ECONÔMICO: o caso do Brasil
Palavras-chave
Crescimento econômico endógeno
Empreendedorismo por necessidade
Desigualdade de renda
Autores
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HADASSA LANDHERR FRISKEFUCAPE Business School
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POLIANO BASTOS DA CRUZFACULDADE FUCAPE (FUCAPE)
Resumo
Introdução
O empreendedorismo no Brasil é relevante, em 2019, o país obteve 2ª maior Taxa de Empreendedorismo Total e a maior Taxa de Empreendedorismo Inicial, desde o início da série da pesquisa do GEM, em 1999. E mundialmente, em 2020, o país classificou-se como a 7ª maior Taxa de Empreendedorismo Inicial do mundo e a 13ª maior Taxa de Empreendedores Estabelecidos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O questionamento: qual o impacto do empreendedorismo no crescimento econômico de uma economia em desenvolvimento? O estudo tem por objetivo identificar o efeito direto e indireto via desigualdade de distribuição de renda do empreendedorismo no crescimento econômico dos estados brasileiros, por meio do formato quantitativo, com dados em painel e estimador de GMM sistêmico, considerando as 27 unidades federativas durante o período de 1995 a 2017.
Fundamentação Teórica
Partindo da teoria do crescimento endógeno, as principais pesquisas advogam relação negativa entre empreendedorismo e crescimento em economias com participação majoritária do empreendedorismo por necessidade, com impacto em 3 anos posteriores (Barros e Pereira, 2008). Outro grupo documenta uma relação não-linear, com menor taxa de empreendedorismo em países economicamente desenvolvidos (Mota et al., 2017; Fontenele, 2010). Ainda, há existência de um ponto de inflexão do PIB per capita de US$ 30.000,00 anual, assim a distribuição de renda também influencia (Fontenele, 2010).
Metodologia
Pesquisa quantitativa. Estima um modelo de equação reduzida com variável dependente a Taxa de Crescimento do PIB per capita. A estimação é Log-Log com equação de regressão estimada em painel dinâmico e GMM sistêmico. O corte transversal é as 27 unidades federativas brasileiras e o corte longitudinal de 1995 a 2017 (inicia na criação do Real, ao ano anterior à eleição presidencial de 2018). A diferenciação metodológica ocorre na realização da pesquisa em um único país (Brasil) e pelo efeito da desigualdade de renda (Índice de Gini) que impacta o empreendedorismo e o crescimento econômico.
Análise dos Resultados
Observam-se resultados de efeitos não lineares do empreendedorismo no crescimento via desigualdade de distribuição de renda, com impacto em 2 anos posteriores (Fontenele, 2010; Barros e Pereira, 2008), e que a estrutura social e a estabilidade econômica influenciam a atividade empreendedora (Fontenele, 2010). Ainda, tem se um efeito indireto, pela desigualdade de renda, no desenvolvimento econômico (Fontenele, 2010). Os resultados ainda corrobora com as teorias do desenvolvimento econômico e crescimento endógeno.
Conclusão
O empreendedorismo influencia o crescimento de forma não linear: abrir Empresas Individuais reduz o PIB per capita, mas novas Sociedades Anônimas o elevam; quando a desigualdade é alta, microempreendimentos suavizam perdas de renda. Investimentos públicos, saúde, saneamento e capital humano reforçam o avanço econômico. Políticas eficazes devem reduzir disparidades regionais, qualificar trabalhadores, ampliar crédito à inovação e promover ecossistemas locais dinâmicos que convertam negócios de necessidade em oportunidades sustentáveis.
Contribuição / Impacto
Contribuições práticas: políticas de fomento devem priorizar inovação e qualificação do capital humano, como o combate à desigualdade para transformar o empreendedorismo de sobrevivência em oportunidade. Contribuição social: estímulo a microempreendimentos em áreas desfavorecidas pode reduzir disparidades, mas requer apoio financeiro e tecnológico continuado, para evitar a mortalidade precoce dos negócios. Contribuição teórica: incorpora a desigualdade de renda como moderadora da relação empreendedorismo e crescimento, observando modelagem não linear nos frameworks de crescimento endógeno.
Referências Bibliográficas
Barros, A. A. and Pereira, C. M. M. A. (2008), "Empreendedorismo e crescimento econômico: uma análise empírica", Revista de Administração Contemporânea, Vol. 12 No. 4, pp. 975–993. Fontenele, R. E. S. (2010), "Empreendedorismo, Competitividade e Crescimento Econômico: Evidências Empíricas", Revista de Administração Contemporânea - RAC, Vol. 14, pp. 1094–1112. 10.1590/S1415-65552010000700007. Mota, M. d. O., et al. (2017), "Relações de influência de indicadores macroeconômicos na propensão ao risco de empreender", Revista de Gestão - REGE, Vol. 24, pp. 159–169. 10.1016/j.rege.2017.03.006.