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Anais

Resumo do trabalho

Agribusiness · Cooperativas

Título

OS EFEITOS DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL EM MUNICÍPIOS BRASILEIROS

Palavras-chave

Cooperativas de Crédito Desenvolvimento Econômico Local Avaliação de Impacto
Agradecimento: Os autores agradecem ao Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) pelo apoio institucional e pela disponibilização de informações essenciais que contribuíram significativamente para o desenvolvimento desta pesquisa.

Autores

  • Davi da Costa Aires de Oliveira
    CENTRO UNIVERSITÁRIO DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASÍLIA - IESB (IESB)
  • Simone de Araújo Góes Assis
    Centro Universitário IESB - Instituição de Ensino Superior de Brasília
  • Helga Cristina Hedler

Resumo

Introdução

Este estudo investiga o impacto e efeitos das cooperativas de crédito sobre o desenvolvimento econômico local em municípios brasileiros entre 2016 e 2021. De natureza quantitativa, abordagem hipotético-dedutiva e delineamento quase-experimental, a pesquisa utiliza Propensity Score Matching e Diferenças em Diferenças (Rosenbaum & Rubin, 1983). Os resultados evidenciam efeitos positivos no PIB da agropecuária, pessoal assalariado e salário médio, e negativos sobre o capital físico, indicando que os efeitos cooperativos são condicionados à vocação produtiva local.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante da crescente relevância do cooperativismo de crédito no Sistema Financeiro Nacional, questiona-se se sua presença influencia o desenvolvimento econômico local. Este estudo tem por objetivo analisar os efeitos dessas cooperativas no crescimento econômico de municípios brasileiros entre 2016 e 2021, utilizando proxies dos fatores terra, capital e trabalho, com base no modelo Cobb-Douglas (Schuntzemberger et al., 2015), a fim de mensurar impactos sobre o PIB total, PIB agropecuário, salário médio, pessoal assalariado médio e número de empresas.

Fundamentação Teórica

A fundamentação teórica articula o desenvolvimento econômico local como processo endógeno baseado em potencialidades econômicas territoriais (Vázquez-Barquero, 2001, Amaral Filho, 2001, Bellingieri, 2017), o crescimento econômico como função de produção neoclássica de Cobb-Douglas baseada em fatores de terra, capital e trabalho (Schuntzemberger et al., 2015) e o papel das cooperativas de crédito como indutoras de dinamização econômica local (Jacques & Gonçalves, 2016; Favro & Alves, 2022; Lima et al., 2024).

Metodologia

A pesquisa adota abordagem quantitativa com delineamento quase-experimental, combinando Propensity Score Matching e Diferenças em Diferenças para estimar os efeitos da presença de cooperativas de crédito no crescimento econômico local entre 2016 e 2021. A amostra pareada foi composta por 920 municípios, dividida em grupos de tratamento e controle, respectivamente com e sem cooperativas no período. Os efeitos sobre PIB, PIB agropecuário, salários, emprego e empresas, com base nos fatores de produção (terra, capital e trabalho) foram avaliados segundo modelos de regressão inferencial causal.

Análise dos Resultados

Os resultados indicam que a presença de cooperativas de crédito elevou em 12,1% o PIB agropecuário, 6% o número de empresas e 1,7% o pessoal assalariado médio, sinalizando fortalecimento do capital físico e estímulo ao dinamismo econômico em contextos rurais. Contudo, a queda de 0,4% no salário médio mensal revela que esse crescimento não se traduziu em valorização do trabalho. Tal assimetria evidencia uma contradição estrutural: o crédito impulsiona a atividade econômica, mas com concentração de renda que gera efeitos sociais restritos nos municípios.

Conclusão

Os resultados mostram que, embora a presença de cooperativas impulsione o PIB agropecuário, o número de empresas e o emprego, não há avanço proporcional na valorização do trabalho pelos salários. À luz de Sen (2000) e Vázquez-Barquero (2001), isso evidencia que o crescimento gerado não se traduz em desenvolvimento pleno, pois carece de efeitos redistributivos. Assim, o crédito cooperativo dinamiza a economia local, mas seus impactos sociais podem ser limitados sem políticas que ampliem capacidades e inclusão produtiva, financeira e social dos indivíduos e territórios.

Contribuição / Impacto

A pesquisa inova ao evidenciar que a presença de cooperativas não assegura desenvolvimento pleno: há dinamismo econômico com contradições sociais. Ao revelar limites na valorização do trabalho, provoca-se o debate sobre seu papel como alavanca de transformação territorial, reforçando o seu potencial como instituições democráticas e instrumentos de política pública. Ampliar sua atuação em áreas carentes de serviços financeiros e integrá-las a redes produtivas pode gerar efeitos multiplicadores, exigindo articulação entre instituições como cooperativas, Sebrae e governos em diferentes níveis.

Referências Bibliográficas

Amaral Filho, Jair. A endogeneização no desenvolvimento econômico regional e local. Planejamento e Políticas Públicas, Brasília, n. 23, p. 261-286, jun. 2001.
Jacques, E. R., & Gonçalves, F. O. (2016). Cooperativas de crédito no Brasil: evolução e impacto sobre a renda dos municípios brasileiros. Economia e Sociedade, 25(2), 489–509. https://doi.org/10.1590/1982-3533.2016v25n2art8
Rosenbaum, P. R., & Rubin, D. B. (1983). The central role of the propensity score in observational studies for causal effects. Biometrika, 70(1), 41–55.

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