Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
O DIPLOMA VALE A DÍVIDA? UM ENSAIO TEÓRICO SOBRE O FIES E O SUPERENDIVIDAMENTO NO BRASIL SOB A LENTE DE VEBLEN
Palavras-chave
Financeirização da educação
Consumo conspícuo
Endividamento estudantil
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.
Autores
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Camila de Aguiar dos SantosFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA - UNIPAMPA (UNIPAMPA)
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Silvia Amélia Mendonça FloresFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA - UNIPAMPA (UNIPAMPA)
Resumo
Introdução
A expansão do ensino superior via Fies produziu acesso à universidade, mas também efeitos colaterais como endividamento, inadimplência e frustração econômica (Nascimento dos Anjos; Tesser, 2024). Este ensaio teórico investiga como o diploma, financiado por meio da dívida, se converte em símbolo de distinção social (Veblen, 1983 [1899]), instaurando uma tensão entre a promessa de mobilidade e a precariedade material vivida por muitos egressos do ensino superior privado.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este ensaio teórico busca demonstrar a relação entre o financiamento do diploma via Fies e o endividamento contraído pelos estudantes, examinando as implicações simbólicas, subjetivas e econômicas desse modelo. O objetivo é refletir sobre como o Fies, ao invés de reduzir desigualdades, pode acentuar a insegurança financeira da juventude escolarizada operando como mecanismo de distinção e consumo simbólico em uma lógica financeirizada da educação.
Fundamentação Teórica
A teoria institucionalista de Thorstein Veblen (1983 [1899]) oferece um arcabouço analítico potente para compreender como o consumo educacional pode funcionar como instrumento de distinção. Os conceitos de consumo conspícuo e emulação ajudam a interpretar o diploma como símbolo de pertencimento e prestígio. Tais categorias revelam como o Fies atua como mecanismo de inserção simbólica, mesmo quando falha em garantir mobilidade econômica concreta (Banuri; Nguyen, 2020).
Discussão
A análise do Fies revela sua dupla face: enquanto promove o acesso formal à universidade, também perpetua a desigualdade por meio da dívida (Leal; Pinheiro; Ferraz, 2023). O diploma torna-se um bem aspiracional financiado, operando como forma de consumo simbólico em uma sociedade marcada por distinções estruturais (Alami et al., 2023). Essa articulação entre teoria e dados mostra que o Fies pode reforçar a precarização econômica e subjetiva de jovens escolarizados (Saad-Filho, 2024).
Conclusão
O diploma financiado por meio do Fies simboliza pertencimento, mas não assegura mobilidade real. Em vez disso, aprofunda vulnerabilidades, transformando a promessa educacional em frustração sistêmica (Sousa; Moreira, 2021). A financeirização da política pública educacional converte o crédito estudantil em engrenagem de distinção e sujeição, instaurando uma lógica em que o endividamento se torna preço simbólico da inclusão (Nascimento dos Anjos; Tesser, 2024).
Contribuição / Impacto
O ensaio propõe uma aproximação entre teoria vebleniana e realidade brasileira, revelando o diploma como marcador simbólico adquirido via endividamento. Contribui para o campo dos Estudos Organizacionais ao tensionar os sentidos culturais da educação como bem de consumo, ao discutir o papel da subjetividade na formação da dívida e ao ampliar o debate sobre distinção, status e financeirização no contexto da juventude escolarizada (Saad-Filho, 2024).
Referências Bibliográficas
ALAMI, I. et al. International financial subordination. Review of Int. Political Economy, v. 30, n. 4, 2023.
BRITO, M. P. Crédito estudantil e desigualdades no ensino superior. Rev. de Políticas Públicas, v. 27, n. 1, 2023.
FREITAS, L. C. Financeirização da educação superior no Brasil. Rev. Bras. Pol. Adm. Educ., v. 38, n. 2, 2022.
SAAD-FILHO, A. Educação superior, endividamento e financeirização no Brasil. Revista de Economia Contemporânea, v. 28, n. 1, 2024.
VEBLEN, T. A teoria da classe ociosa. São Paulo: Abril Cultural, 1983 [1899].
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