Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
ASSÉDIO MORAL E GESTÃO POR RESULTADOS NO VAREJO: UM ESTUDO COM GERENTES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS.
Palavras-chave
ASSÉDIO MORAL
varejo
GERENTE
Autores
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Revelin Pereira Gaeta de SouzaUNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)
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Maitê de Siqueira BrahmUNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)
Resumo
Introdução
O assédio moral no trabalho afeta a cultura organizacional e, muitas vezes, é usado como ferramenta de gestão, ainda que não seja reconhecido institucionalmente. Este estudo analisou a percepção de gerentes do varejo de micro e pequeno porte em Pelotas sobre o tema, investigando seu conhecimento, experiências e as consequências percebidas. A pesquisa destaca a importância de compreender o papel da gerência na prevenção do assédio, dada sua influência no clima organizacional e no bem-estar dos trabalhadores.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este artigo analisou a percepção de gerentes do varejo de micro e pequeno porte em Pelotas sobre o assédio moral. A pesquisa abordou a visão, o conhecimento e experiências desses profissionais com práticas de assédio, bem como suas consequências no ambiente de trabalho. Destaca-se a posição intermediária dos gerentes, que os torna tanto alvos quanto agentes dessas práticas, apontando a complexidade do tema e a necessidade de maior atenção às relações de poder nas organizações.
Fundamentação Teórica
A gestão evoluiu do controle físico para formas psicológicas mais sutis (Foucault, 2007; Souza,2019), com o assédio moral se tornando uma prática comum e silenciosa nas organizações, especialmente no varejo. Gestores usam metas e competição como formas de controle, expondo colaboradores a pressões e humilhações (Menezes, 2002; Freitas, Heloani e Barreto, 2011). O assédio impacta a saúde e o clima organizacional, sendo ainda pouco reconhecido. Este estudo analisa como gerentes de MPEs do varejo percebem o assédio moral, dada sua posição estratégica nas empresas.
Metodologia
A pesquisa qualitativa analisou entrevistas com sete gerentes de varejo em Pelotas/RS, visando compreender suas experiências na gestão de pessoas. Foram utilizados questionários semiestruturados, com base em referencial teórico. As entrevistas, presenciais e por telefone, somaram 119 minutos e revelaram dados como gênero, escolaridade e tempo de empresa. A análise abordou três categorias: dificuldades na gestão de pessoas, assédio moral percebido/sofrido e assédio como estratégia de gestão.
Análise dos Resultados
O estudo revela que gerentes de micro e pequenas empresas do varejo enfrentam dificuldades na gestão de pessoas, muitas vezes sem preparo adequado. A pressão por metas leva à naturalização do assédio moral, afetando gestores e suas equipes. Práticas como cobranças excessivas, comparações, sarcasmo e horas extras não remuneradas são comuns, criando um ambiente competitivo, hostil e emocionalmente desgastante, onde o assédio é recorrente e muitas vezes reproduzido pelos próprios gestores.
Conclusão
A pesquisa analisou a percepção de gerentes do varejo de micro e pequeno porte em Pelotas sobre o assédio moral. Constatou-se que a pressão por metas favorece práticas abusivas naturalizadas, muitas vezes reproduzidas pelos próprios gerentes. Houve contradições entre sofrimento relatado e reprodução do assédio. A hierarquia dificultou respostas, especialmente entre homens. Sugere-se aprofundar o estudo com foco nos gerentes intermediários e por meio de métodos quantitativos.
Contribuição / Impacto
O impacto deste trabalho está em revelar como o assédio moral está naturalizado na gestão do varejo de micro e pequenas empresas, evidenciando a complexidade das relações de poder e a pressão por resultados. Ao destacar a contradição entre gerentes vítimas e replicadores do assédio, o estudo contribui para a reflexão sobre práticas de gestão mais humanas e sustentáveis. Além disso, oferece base para futuras pesquisas e políticas que visem melhorar o ambiente organizacional e o bem-estar dos trabalhadores nesse setor.
Referências Bibliográficas
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis, Ed. Vozes, 29 edição, 2004. (“O Panóptico de Bentham”), p. 165-172. FREITAS, M. E. de. Cultura Organizacional - Evolução e Crítica. São Paulo: Thompson Learning, 2007. p. 11-46 e p. 72-76.
FREITAS, M. E. de. HELOANI, R. BARRETO, M. Assédio Moral no Trabalho. São Paulo: Cengage Learning, 2011.
MENEZES, C. A. C. de. Assédio moral e seus efeitos jurídicos. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. Porto Alegre. v. 68, n. 3, p. 189-195, jul./dez. 2002. Disponível em: https://juslaboris.tst.jus.br/handle/20.500.12178/70732. Acesso em: 22. Set. 2023.
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