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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Epistemologias e Ontologias em Estudos Organizacionais

Título

Poder, Resistência e Criação: Conflitos Ambientais à Luz de Foucault, Deleuze e Guattari

Palavras-chave

Conflitos socioambientais Microfísica do poder Linhas de fuga

Autores

  • Vitor Carvalho Gomes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Resumo

Introdução

O artigo reflete sobre como o poder opera de forma difusa e sutil nos conflitos ambientais contemporâneos, moldando práticas, subjetividades e discursos. A partir dos aportes teóricos de Foucault, Deleuze e Guattari, discute-se como o poder não é apenas repressão, mas também produção de normas, desejos e modos de vida, demandando formas de resistência que ultrapassam o enfrentamento direto e assumem a criação como prática política e existencial.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema central questiona: como os conceitos de poder e resistência, na perspectiva de Foucault, Deleuze e Guattari, ajudam a compreender e enfrentar os conflitos ambientais? O objetivo é analisar como o poder se infiltra nas práticas ambientais e como a resistência pode se expressar não apenas como negação, mas como criação de novas formas de vida, territórios e saberes que rompem com a lógica extrativista e capitalista dominante.

Fundamentação Teórica

A análise se ancora na microfísica do poder de Foucault, que revela como o controle opera no cotidiano, moldando sujeitos e práticas. Dialoga também com Deleuze e Guattari, que deslocam a resistência para a criação de linhas de fuga, modos de vida alternativos e ontologias insurgentes. Complementam-se autores como Escobar, Santos, Cusicanqui, Zhouri e Stengers, que abordam conflitos ambientais como disputas ontológicas e epistêmicas.

Discussão

O debate evidencia que os conflitos ambientais são atravessados por dispositivos de controle que naturalizam a exploração dos territórios. A resistência, nesse contexto, ultrapassa o enfrentamento direto e se manifesta em práticas afirmativas: agroecologia, permacultura, saberes ancestrais e modos de vida comunitários. São expressões de linhas de fuga que não escapam do mundo, mas o reinventam, produzindo fissuras no sistema hegemônico.

Conclusão

O artigo conclui que resistir aos conflitos ambientais exige mais do que denúncia: demanda invenção de mundos. A resistência é tanto política quanto ontológica, operando pela criação de práticas, territórios e saberes que escapam à captura do capitalismo e da colonialidade. É no cotidiano, nas microações e nas redes de cuidado que emergem possibilidades concretas de ruptura e transformação socioambiental.

Contribuição / Impacto

Este estudo contribui ao oferecer uma leitura crítica dos conflitos ambientais como campos de produção de subjetividades e territórios, articulando poder e resistência numa perspectiva micropolítica e criativa. Ao mobilizar Foucault, Deleuze, Guattari e pensadores decoloniais, amplia o debate sobre justiça ambiental, propondo práticas que valorizam saberes locais, autonomia dos povos e formas sustentáveis de existência.

Referências Bibliográficas

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 2008.
FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

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