Logo

Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Estrutura de Capital, Dividendos e Fusões e Aquisições

Título

DESEMPENHO ESG AUMENTA A ALAVANCAGEM? UMA ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CAPITAL NO BRASIL E ÁFRICA DO SUL

Palavras-chave

ESG Estrutura de capital Sul Global
Agradecimento: Agradecemos à FACEPE pelo financiamento que tornou esta pesquisa possível.

Autores

  • Camila Bezerra Correia Neves
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Joséte Florêncio dos Santos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • João Guilherme de Santana Brandão
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Jonatas Guilherme Ferraz dos Santos Oliveira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Dayana do Carmo Morgan da Silva

Resumo

Introdução

A crescente relevância do ESG contrasta com a visão de que seus investimentos são custos sem retorno financeiro. O impacto dessas práticas na estrutura de capital é um campo de intenso debate, com evidências ambíguas na literatura: enquanto alguns estudos apontam que o ESG facilita o acesso à dívida ao reduzir o risco percebido, outros sugerem que seu custo onera as decisões de financiamento. Essa incerteza é particularmente pronunciada em economias emergentes, justificando uma análise aprofundada do tema nesse contexto específico.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Reconhecer e valorizar o papel dos países do Sul Global nas dinâmicas das relações internacionais, no comércio mundial e na agenda do desenvolvimento sustentável é relevante. Buscamos responder como as práticas de ESG se relacionam com a estrutura de capital externo das empresas brasileiras e sul-africanas? Para isto, o objetivo é investigar a relação entre as atividades de ESG e a estrutura de capital das empresas brasileiras e sul-africanas no período de 2010 a 2023.

Fundamentação Teórica

A adoção de melhorias nos aspectos socioambientais e de governança (ESG) demanda investimentos significativos, especialmente no curto prazo, o que pode comprometer recursos destinados a outras áreas operacionais da empresa. A estrutura de capital de uma empresa afeta as estratégias de ESG. Estudos têm demonstrado que executar atividades dessa temática pode potencializar a obtenção de capital próprio, já que os acionistas tendem a investir em empresas socioambientalmente responsáveis.

Metodologia

Este estudo pode ser classificado como descritivo e empírico com abordagem quantitativa. A amostra é composta pelas empresas brasileiras e sul-africanas listadas em bolsa que possuam dados de ESG e contábeis disponíveis na plataforma Refinitiv. O período de análise foi de 2010 a 2023. A relação entre a estrutura de capital e as práticas de ESG foi analisada por meio de regressão linear múltipla com dados em painel.

Análise dos Resultados

Os resultados indicam uma relação positiva e significativa entre o score ESG e o nível de alavancagem financeira, corroborando a teoria de que um bom desempenho em sustentabilidade funciona como um sinal de menor risco e maior transparência para os credores. O poder explicativo do modelo e a modesta magnitude do efeito, quando comparado a determinantes clássicos como tangibilidade e rentabilidade, demonstram que os fundamentos financeiros tradicionais continuam a ser os principais vetores das políticas de alavancagem nos mercados analisados.

Conclusão

Este resultado oferece suporte empírico à hipótese de que um bom desempenho ESG funciona como um sinal de transparência e menor risco, facilitando o acesso ao capital de dívida em condições mais favoráveis, em linha com a Teoria do Trade-Off. Embora o ESG seja um fator estatisticamente válido, ele atua como um determinante secundário, e não primário, da estrutura de capital. As decisões de alavancagem nos mercados emergentes analisados continuam a ser predominantemente governadas por fundamentos financeiros clássicos.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui para o debate sobre o papel do ESG, indicando que, no contexto analisado, ele se manifesta menos como um custo líquido e mais como um mecanismo que pode otimizar as políticas de financiamento.

Referências Bibliográficas

MODIGLIANI, F.; MILLER, M. The cost of capital, corporate finance and the theory of investment. The American Economic Review, 1958, v. 48, n. 3, p. 261-297.
MYERS, S. C. Determinants of corporate borrowing. Journal of Financial Economics, [s. l.], v. 5, n. 2, p. 147–175, nov. 1977. https://doi.org/10.1016/0304-405x(77)90015-0.
CHAGAS, G. M. O.; SANTOS, J. F.; NEVES, C. B. C.; ALMEIDA, M. A. Impacto das práticas ambientais sobre a alavancagem. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, v. 17, n. 4, 2023. https://doi.org/10.12712/rpca.v17i4.60149.

Navegação

Anterior Próximo