Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Governança Corporativa, Risco e Compliance
Título
A EQUIDADE DE GÊNERO NA GOVERNANÇA CORPORATIVA: Uma análise das empresas do Novo Mercado brasileiro
Palavras-chave
Governança corporativa
Equidade de gênero
Liderança feminina
Agradecimento:
Não se aplica.
Autores
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Edna Tauane CamachoFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA - UNIPAMPA (UNIPAMPA)
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Silvia Amélia Mendonça FloresFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA - UNIPAMPA (UNIPAMPA)
Resumo
Introdução
A governança corporativa é essencial para promover valor sustentável e equidade nas organizações. O Novo Mercado, segmento da B3 com práticas mais rigorosas, ainda apresenta desafios quanto à presença feminina em cargos estratégicos. Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos Princípios de Empoderamento das Mulheres (Women's Empowerment Principles – WEPs), este estudo discute a desigualdade de gênero na alta gestão, destacando barreiras como o glass ceiling e fatores socioculturais que limitam a ascensão profissional das mulheres.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Com base nas práticas de governança corporativa e a importância da equidade de gênero, elaborou-se a seguinte pergunta de pesquisa: Qual a presença feminina em níveis estratégicos da governança corporativa de empresas do segmento do Novo Mercado brasileiro? O objetivo geral é analisar a presença das mulheres nesses níveis. Os objetivos específicos são: a) Identificar a composição do conselho de administração e da diretoria; b) Mensurar a proporção de mulheres; e c) Caracterizar essas lideranças quanto à idade, formação acadêmica e tempo de mandato.
Fundamentação Teórica
A governança corporativa (GC), entendida como complexa e multidimensional, é importante para as organizações e suas partes, sendo abordada pela primeira vez por Robert Monks, nos Estados Unidos, na década de 1980 (Carvalho, 2024). No Brasil, o movimento por boas práticas de GC intensificou-se com as privatizações e a abertura do mercado nacional na década de 1990. Apesar dos esforços na GC, tais como a diversidade de gênero, as mulheres ainda enfrentam barreiras ao tentar ascender a cargos de liderança. Em 2022, elas ocupavam apenas 39,3% dos cargos gerenciais no Brasil.
Metodologia
A pesquisa é aplicada, de caráter descritivo e abordagem quantitativa. Utilizou-se levantamento de dados secundários dos Formulários de Referência (FRE) da CVM, referentes ao ano de 2024. A população analisada compreende 192 empresas do Novo Mercado brasileiro. Foram examinadas variáveis como total de membros e proporção de mulheres nos Conselhos e Diretorias, além da idade média, formação acadêmica e tempo de mandato. Os dados foram coletados manualmente, organizados no Excel e analisados por meio de estatística descritiva com o auxílio dos softwares Microsoft Excel e Stata.
Análise dos Resultados
A análise reportou baixa representatividade feminina em cargos estratégicos. Das 2.383 posições mapeadas nos Conselhos de Administração e Diretorias Executivas, apenas 396 são ocupadas por mulheres, o que corresponde a 16,6% do total. A maioria possui formação em Administração, Economia, Direito e Engenharia, com média de 61 anos de idade e 14 anos de mandato. A presença feminina é pontual, refletindo barreiras estruturais, além disso, os dados evidenciam a desigualdade de gênero, mesmo em empresas com alto padrão de governança corporativa.
Conclusão
Evidenciou-se nesta pesquisa que, apesar dos avanços nas práticas de governança corporativa, a equidade de gênero ainda é um desafio nas empresas do Novo Mercado. A baixa representatividade feminina em cargos estratégicos revela barreiras estruturais persistentes. Tais evidências reforçam a necessidade de ações concretas que superem a representação simbólica, promovendo a inclusão efetiva das mulheres nos processos decisórios. O estudo contribui para o debate sobre diversidade e governança, destacando a importância de repensar estruturas organizacionais ainda resistentes à equidade de gênero.
Contribuição / Impacto
A pesquisa avança no entendimento teórico sobre equidade de gênero na governança corporativa ao revelar a baixa representatividade feminina, a predominância de perfis tradicionais e a limitada renovação em cargos estratégicos. Na prática, fornece fundamentos para políticas empresariais e públicas que promovam diversidade, por meio de metas de inclusão e maior transparência nos conselhos e diretorias. Em especial, os resultados reportam que mesmo nos altos níveis de GC, os desafios da diversidade ainda persistem.
Referências Bibliográficas
BARROS, Thiago de Sousa; KIRSCHBAUM, Charles. What is women’s position in brazil’s board interlocking network? An analysis covering the period from 1997 TO 2015. Revista de Administração de Empresas, v. 63, p. e2021-0410, 2023.
MARCON, Denise Almeida. Mulheres no Conselho de Administração: facilitadores e barreiras. Editora Dialética, 2023.
VALCANOVER, Vanessa Martins; SONZA, Igor Bernardi. Women in charge: Do gender diversity and the participation of female heirs affect the performance of listed companies?. Contextus–Revista Contemporânea de Economia e Gestão, v. 19, p. 345-357, 2021.
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