Anais
Resumo do trabalho
Tecnologia da Informação · Adoção de TICs e Impactos Organizacionais
Título
Hiperconectividade e transformação digital nas organizações: entre a promessa de agilidade e os riscos da conectividade ininterrupta
Palavras-chave
Hiperconectividade
Transformação Digital
Cultura da Urgência
Agradecimento:
Este trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).
Autores
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Emanuella Rodrigues Veras da Costa PaivaUNIVERSIDADE POTIGUAR (UNP)
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Maria Naftally Dantas BarbosaUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
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Eliane Saturnino CesaUNIVERSIDADE POTIGUAR (UNP)
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Cristine Hermann NodariUNIVERSIDADE FEEVALE (FEEVALE)
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Laís Karla da Silva BarretoUNIVERSIDADE POTIGUAR (UNP)
Resumo
Introdução
A TD das organizações, embora amplamente celebrada como vetor de inovação e produtividade, tem provocado efeitos colaterais cada vez mais evidentes nas dinâmicas do trabalho e da vida social. A expansão de tecnologias, o uso disseminado de plataformas digitais e a ubiquidade de dispositivos móveis promoveram a consolidação de um novo regime temporal. Tal cenário se inscreve no fenômeno da hiperconectividade, expressão que descreve a condição de conexão constante a múltiplos dispositivos, canais e interfaces digitais, tanto em contextos profissionais quanto pessoais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Neste contexto, este artigo propõe uma análise teórica crítica dos efeitos da hiperconectividade e da cultura da urgência nas organizações contemporâneas, à luz da transformação digital. Parte-se da hipótese de que o imediatismo e a responsividade constante não são apenas exigências funcionais, mas construções sociotécnicas que refletem lógicas de controle e desempenho. Busca-se, assim, compreender como esses fenômenos reconfiguram o tempo, as relações de trabalho e os vínculos sociais, e quais os riscos de sua naturalização em nome da eficiência.
Fundamentação Teórica
A TD transcende a simples adoção de ferramentas tecnológicas; ela constitui uma reorganização profunda da lógica de funcionamento das organizações e da sociedade (Vial, 2019). A hiperconectividade não é apenas um fenômeno técnico, mas uma construção social e organizacional. Assim, o trabalhador hiperconectado é, ao mesmo tempo, informado e vigiado; engajado e sobrecarregado. Han (2017) e Rosa (2019) convergem ao afirmar que cultura da urgência não é um reflexo direto da aceleração tecnológica, mas uma construção sociocultural, que transforma a pressa em virtude e a demora em falha.
Discussão
A promessa de flexibilidade trazida pela TD tem resultado em um novo modelo de trabalho caracterizado por presença difusa, conectividade ininterrupta e vigilância velada. Os impactos da hiperconectividade não se restringem ao mundo do trabalho. A vida social, afetiva e familiar também tem sido reconfigurada por práticas digitais que operam em tempo real. A discussão sobre TD e hiperconectividade revela um paradoxo estrutural: enquanto as organizações buscam agilidade, inovação e eficiência, elas contribuem para a exaustão informacional, cognitiva e afetiva de seus profissionais.
Conclusão
A análise empreendida ao longo deste artigo evidencia que a transformação digital, ao ser incorporada nas organizações sob o imperativo da eficiência, da inovação e da conectividade constante, tem instaurado novas formas de temporalidade que afetam profundamente o trabalho e a vida social. Longe de ser apenas um recurso técnico, a hiperconectividade tornou-se um fenômeno estruturante da cultura organizacional contemporânea, operando como um dispositivo de controle, disciplina e performance.
Contribuição / Impacto
A partir de um ensaio teórico e de dados empíricos confiáveis, o artigo contribui para o avanço das discussões sobre o tempo organizacional digitalizado e os efeitos subjetivos e sociais da hiperconectividade, propondo alternativas éticas e organizacionais para uma governança mais humana do tempo e da tecnologia. Diante disso, este artigo defende que a crítica à hiperconectividade deve ir além da denúncia e avançar para a elaboração de alternativas éticas e institucionais. Propõe-se, assim, a valorização de uma governança do tempo digital.
Referências Bibliográficas
Han, B.-C. (2017). Sociedade do cansaço (I. Czelusniak, Trad.). Vozes.
Rosa, H. (2019). Aceleração e alienação: Reflexões sobre o tempo na modernidade tardia (L. C. Ribeiro, Trad.). UNESP.
Vial, G. (2019). Understanding digital transformation: A review and a research agenda. The Journal of Strategic Information Systems, 28(2), 118–144.
Rosa, H. (2019). Aceleração e alienação: Reflexões sobre o tempo na modernidade tardia (L. C. Ribeiro, Trad.). UNESP.
Vial, G. (2019). Understanding digital transformation: A review and a research agenda. The Journal of Strategic Information Systems, 28(2), 118–144.