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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Aprendizagem nas Organizações

Título

OS DESAFIOS ACERCA DA INCLUSÃO DE ALUNOS COM DIFERENTES PERFIS COGNITIVOS, SOB A ÓTICA DE PROFESSORAS ATUANTES NO APOIO E SALA DE RECURSOS

Palavras-chave

INCLUSÃO GESTÃO ESCOLAR NEURODIVERSIDADE

Autores

  • ALAIDE SOARES PEREIRA RIBEIRO
    Centro Universitário Unihorizontes - MG

Resumo

Introdução

Nas últimas décadas, a inclusão escolar ganhou centralidade nas políticas educacionais, mas ainda enfrenta desafios práticos, sobretudo quanto à atuação de professoras de apoio e da sala de recursos. Este estudo analisa como a neurodiversidade é compreendida por essas profissionais na rede pública de Minas Gerais, evidenciando tensões entre normas e práticas. A partir de grupos focais, busca-se contribuir com propostas para uma educação inclusiva equitativa, sensível à diversidade cognitiva e às subjetividades escolares.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Apesar dos avanços legais, a efetivação da inclusão escolar ainda é limitada por práticas que negligenciam a diversidade cognitiva. Diante disso, este estudo investiga como professoras de apoio e da sala de recursos compreendem e aplicam o conceito de neuro diversidade no cotidiano escolar, buscando identificar obstáculos e potencialidades para práticas inclusivas mais equitativas e sensíveis às diferentes formas de aprendizagem.

Fundamentação Teórica

A inclusão escolar, respaldada por marcos legais como a Lei nº 13.146/2015, enfrenta desafios estruturais na prática, especialmente diante da neurodiversidade (Mantoan & Lanuti, 2022; Mittler, 2003). A compreensão das diferentes formas de funcionamento cognitivo, proposta por Gardner (2002) e reforçada pelas neurociências (Ferreira et al., 2024), exige práticas pedagógicas sensíveis à diversidade. Contudo, persistem lacunas formativas e simbólicas (Rosa & Bucco, 2025; Coutinho & Tessaro, 2024), que demandam políticas públicas intersetoriais e valorização docente.

Metodologia

Este estudo adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, voltada à análise das percepções e práticas de professoras de apoio e da sala de recursos da rede estadual de Minas Gerais. A produção de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas em grupos focais com 22 docentes, organizadas remotamente via Google Meet. A análise seguiu a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), buscando compreender as tensões entre políticas inclusivas e a realidade escolar vivida pelas profissionais.

Análise dos Resultados

A partir dos grupos focais com 22 professoras da rede pública de Minas Gerais, a análise revelou categorias como invisibilidade profissional, violência simbólica, pressão burocrática e ausência de políticas para a neuro diversidade. Utilizando a Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), os dados evidenciam tensões entre o discurso da inclusão e a realidade escolar. Os relatos apontam para a marginalização das docentes de apoio, insegurança frente a comportamentos desafiadores e o apagamento das múltiplas formas de inteligência, reforçando a urgência de políticas formativas e institucionais efetivas.

Conclusão

Os resultados revelam tensões entre o ideal normativo da inclusão e a realidade escolar. As falas das professoras evidenciam invisibilidade institucional, medicalização excessiva e falta de apoio à diversidade neuro cognitiva. Conclui-se que a inclusão exige mudanças estruturais na gestão, formação continuada e escuta ativa. Valorizar o papel estratégico das docentes de apoio é essencial para construir uma escola pública verdadeiramente inclusiva, democrática e sensível às múltiplas formas de inteligência e subjetividade.

Contribuição / Impacto

Este estudo contribui ao evidenciar as vozes de professoras de apoio e da sala de recursos, revelando desafios ocultos na efetivação da inclusão escolar. Ao articular teoria e prática, amplia o debate sobre neuro diversidade e inteligências múltiplas na educação pública, apontando lacunas nas políticas e formações. Seu impacto reside na proposição de caminhos para uma gestão inclusiva, valorizando saberes docentes e fomentando práticas pedagógicas mais equitativas, sensíveis às singularidades cognitivas e emocionais dos estudantes.

Referências Bibliográficas

Bardin (2016); Bauer & Gaskell (2017); Beni et al. (s.d.); Costa-Renders & Angelo (2024); Coutinho & Tessaro (2024); de Castro & Lelis (2025); de Oliveira Costa et al. (2023); Ferreira et al. (2024); Figueira (2016); Gardner (2002); Mantoan & Lanuti (2022); Mittler (2003); Najjar (s.d.); Pereira et al. (2025); Poupart et al. (2014); Rosa & Bucco (2025); Santana & Teixeira (2022).

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