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Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Governança Corporativa, Risco e Compliance

Título

ESG COMO PONTE ENTRE DÍVIDA E RETORNO? UMA ANÁLISE NAS EMPRESAS BRASILEIRAS

Palavras-chave

ESG Estrutura de capital Desempenho financeiro
Agradecimento: Este trabalho foi apoiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE), pela CAPES, pelo CNPQ e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Autores

  • João Guilherme de Santana Brandão
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Joséte Florêncio dos Santos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Clarissa Cabral Leite
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Camila Bezerra Correia Neves
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Móisés Araújo Almeida
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)

Resumo

Introdução

O crescente debate sobre ESG (Environmental, Social, and Governance) reflete mudanças sociais, culturais e impactos de eventos climáticos. Esses fatores influenciam as corporações perante a sociedade e governos, tornando-se relevantes para investidores e gestores. A implementação de ações ESG exige recursos financeiros, mas a preservação da riqueza dos acionistas deve ser considerada. Pesquisadores investigam a relação entre práticas ESG, desempenho financeiro e decisões de capital, com resultados divergentes na literatura.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Apesar de esforços teóricos e empíricos, o impacto do ESG nos aspectos financeiros ainda não foi totalmente determinado, com variáveis moderadoras podendo explicar resultados inconsistentes. Diante disso, a pesquisa busca responder: O ESG modera a relação entre a estrutura de capital e o desempenho financeiro das empresas brasileiras? O objetivo é investigar se o ESG modera essa relação em empresas de capital aberto na B3, de 2014 a 2024.

Fundamentação Teórica

O termo ESG, formalizado em 2004, evoluiu de RSC e ISR. Abrange dimensões Ambiental, Social e de Governança. Atividades ESG podem impactar o valor das empresas e, para investidores, reduzem a percepção de risco, facilitando o acesso a capital. A estrutura de capital, proporção de dívida e capital próprio, tem sido debatida há décadas. Há divergências sobre a influência do ESG no desempenho financeiro e na estrutura de capital, com estudos apontando benefícios e custos. A possível moderação do ESG na relação entre estrutura de capital e desempenho financeiro é um ponto de investigação.

Metodologia

O estudo utiliza uma abordagem quantitativa. A população inclui todas as empresas brasileiras de capital aberto, com a amostra focando em empresas não-financeiras, sem patrimônio líquido negativo e com ao menos quatro anos de dados ESG e financeiros na Refinitiv, de 2014 a 2024. Foram empregados modelos de regressão linear com dados em painel e efeitos fixos para investigar a moderação do ESG na relação entre desempenho e estrutura de capital, utilizando ROA e Q de Tobin como variáveis de desempenho e o índice ESG da Refinitiv para sustentabilidade.

Análise dos Resultados

As práticas ESG não mostraram impacto estatisticamente significativo no desempenho financeiro (ROA e Q de Tobin), mesmo com defasagem temporal. A alavancagem se relacionou negativamente e significativamente com o ROA, mas não com o Q de Tobin. Também não se pode afirmar que o efeito moderador do ESG entre alavancagem e desempenho é diferente de zero. Isso pode indicar que as práticas ESG precisam de mais tempo para gerar o efeito desejado para as empresas da amostra.

Conclusão

O estudo concluiu que o ESG não modera a relação entre estrutura de capital e desempenho nas empresas de capital aberto brasileiras, no período de 2014 a 2024. As práticas ESG, por si só, não apresentaram significância estatística na relação com o desempenho financeiro (ROA) e de mercado (Q de Tobin), mesmo considerando defasagens. Isso sugere que, no contexto brasileiro, os impactos das atividades ESG no desempenho financeiro ainda não são precificados pelos indicadores contábeis ou de mercado.

Contribuição / Impacto

Os achados contribuem para o entendimento das práticas sustentáveis nas finanças corporativas brasileiras, evidenciando que as práticas ESG demandam tempo para maturação e produção de resultados, sendo um caminho relevante para lidar com os efeitos negativos da alavancagem no desempenho. A pesquisa destaca a alta variabilidade nos níveis de divulgação ESG entre as empresas brasileiras, o que pode influenciar a percepção de que representam um investimento sem retorno direto ou imediato.

Referências Bibliográficas

BAGH, T.; HUNJRA; A. I.; GUO, Y.; BOURI, E. Corporate capital structure in BRICS economies: An integrated analysis of ESG, firm, industry, and macroeconomic determinants. International Journal of Finance and Economics, 2024.
KRAUS, A.; LITZENBERGER, R. H. A State-Preference Model of Optimal Financial Leverage. The Journal of Finance, v. 28, n. 4, p. 911, set. 1973.
LEE, K. H.; MIN, B.; YOOK, K. H. The impacts of carbon (CO2) emissions and environmental research and development (R&D) investment on firm performance. International Journal of Production Economics, v. 167, p. 1–11, 1 set. 2015

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