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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Organizações Alternativas

Título

Plataformas Digitais Cooperativas: da Gestão Algorítmica à Gestão Societal

Palavras-chave

Plataformização Autogestão Tecnociência Solidária

Autores

  • FABIO MELGES
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL (UFMS)
  • ELCIO GUSTAVO BENINI
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL (UFMS)
  • EZIEL GUALBERTO DE OLIVEIRA
  • Maria Carollina Padilha Montenegro Reis
  • Ana Carolina Nogueira Gonçalves

Resumo

Introdução

A plataformização do trabalho tem se consolidado como regime dominante no capitalismo contemporâneo, aprofundando a precarização e ocultando relações de dominação sob o discurso da autonomia. Este artigo propõe uma abordagem crítica ao modelo algorítmico hegemônico, articulando fundamentos marxistas, crítica institucional e propostas de reorganização social do trabalho.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Como superar a precarização flexibilizada imposta pelas plataformas digitais corporativas? O objetivo do artigo é tensionar criticamente o modelo de governança algorítmica dominante e apresentar uma alternativa baseada no cooperativismo de plataforma, na gestão democrática e na apropriação coletiva da tecnologia.

Fundamentação Teórica

A fundamentação articula a crítica marxista do trabalho e da tecnologia (Marx; Braverman; Antunes), a noção de propriedade ausente (Veblen), a governança algorítmica (Dourish) e o discurso gerencial como prática social (Fairclough), além das contribuições da tecnociência solidária (Dagnino) e do paradigma societal da administração (Benini et al.).

Discussão

O texto propõe uma leitura crítica da plataformização como regime técnico e simbólico de dominação caracterizado por comando algorítmico, fundado na separação entre comando e responsabilidade, e sustentado por discursos de autonomia e empreendedorismo de si. Em contraponto, desenvolve-se a ideia de uma plataforma cooperativa digital como alternativa institucional viável, orientada por valores de equidade, transparência e autogestão.

Conclusão

A análise evidencia que a plataformização do trabalho não é neutra, mas estrutura renovadas de exploração e despolitização. A partir disso, o artigo propõe, em nível teórico-propositivo, a reconfiguração da tecnologia sob controle coletivo, apontando caminhos para a construção de organizações digitais cooperativas autogeridas baseadas em justiça social e emancipação.

Contribuição / Impacto

O artigo contribui para os Estudos Organizacionais ao articular crítica e proposição, ampliando a compreensão das plataformas digitais como forma de organização hegemônica e apontando para possibilidades concretas de reinvenção institucional. Reposiciona o digital como campo estratégico de disputa política e técnica pelo comum.

Referências Bibliográficas

Marx (2017); Braverman (1987); Antunes (2009); Veblen (2009); Dagnino (2019); Scholz (2016); Dourish (2016); Melges et al. (2022); Abílio et al. (2021); Casagrande et al. (2021); Fairclough (2010); Mészáros (2011).

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