Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO TRANSCULTURAL DA ESCALA THE MULTIDIMENSIONAL WORKAHOLISM - MWS PARA O PORTUGUÊS
Palavras-chave
Workaholism
Adaptação
Validação de escala
Agradecimento:
Esta pesquisa recebeu financiamento específico de agências de fomento públicas como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.
Autores
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Martiele Gonçalves MoreiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (UFSM)
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Luis Felipe Dias LopesUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (UFSM)
Resumo
Introdução
Existem diversas escalas para medir workaholism, algumas consideram o construto de forma multidimensional enquanto outras o definem por meio de uma única dimensão. Contudo, resultam em respostas diferentes sobre o tema, sendo necessário definir operacionalmente um conceito e optar pelo uso de uma escala que reflita tal opção e que seja útil para o avanço da temática. Dessa forma, é importante considerar um viés de análise congruente para as pesquisas sobre workaholism, visto que seus resultados implicam no posicionamento da gestão e das estratégias de promoção do bem-estar organizacional.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Percebe-se a carência de novas medidas de workaholism, porque as anteriormente elaboradas foram derivadas de outras escalas que continham problemas estatísticos como baixo nível de confiabilidade ou sobreposição conceitual. A fim de desfragmentar as definições até então elaboradas, Clark, Smith e Haynes (2020) desenvolveram a Multidimensional Workaholism Scale - MWS, que traz uma perspectiva multidimensional para o tema. Portanto, este estudo tem por objetivo traduzir, adaptar culturalmente e validar a escala The Multidimensional Workaholism Scale para o contexto brasileiro.
Fundamentação Teórica
Existem três principais escalas para medir workaholism. A WART identifica risco de vício em trabalho com 25 itens e boa confiabilidade, mas teve limitações na amostra inicial. WorkBAT mede três dimensões, porém apresenta divergências e possíveis sobreposições conceituais. DUWAS, bidimensional, mostra melhor desempenho e foi validada no Brasil. A BWAS, mais recente, foca nos elementos do vício, porém é unidimensional e voltada para diagnóstico clínico. A MWS surge como uma escala confiável e multidimensional, evitando confusões anteriores, sendo validada em outros contextos e indicada.
Metodologia
O processo de adaptação seguiu os passos recomendados de tradução, retrotradução, análise por um comitê de especialistas e pré-teste com 57 indivíduos representativos do público-alvo. A validação foi conduzida com uma amostra diversificada de 720 trabalhadores. Foram realizadas análises fatoriais exploratórias, avaliação da consistência interna dos itens, análise da validade discriminante das dimensões e modelagem de equações estruturais para testar o modelo proposto.
Análise dos Resultados
A versão brasileira da escala, denominada Escala Multidimensional de Workaholism (EMW), demonstrou boa consistência interna, validade convergente e validade discriminante, evidenciando adequação para pesquisas futuras. A análise de invariância entre os sexos indicou que as relações entre as dimensões do workaholism são consistentes tanto para homens quanto para mulheres, sugerindo que os mecanismos subjacentes ao fenômeno operam de maneira similar entre os sexos, apesar de possíveis diferenças culturais e sociais.
Conclusão
Este estudo fornece uma ferramenta para a investigação do workaholism no contexto brasileiro, ampliando a compreensão do fenômeno em diferentes realidades culturais e organizacionais e seu impacto na saúde dos trabalhadores.
Contribuição / Impacto
Esta pesquisa contribui com o campo de investigação do tema ampliando os possíveis contextos e culturas que podem ser analisadas, já que pela análise da invariância foi identificado que não há distinção quanto a interpretação do construto por meio da variável gênero. Ademais pode auxiliar no processo de identificação e consequentes intervenções a nível organizacional, já que trabalhadores workaholics tendem a ter uma baixa produtividade e resultados negativos de relacionamento interpessoal.
Referências Bibliográficas
Beaton, D. E., Bombardier, C., Guillemin, F., & Ferraz, M. B. (2000). Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine, 25(24), 3186-3191.
Clark, M. A., Smith, R. W., & Haynes, N. J. (2020). The Multidimensional Workaholism Scale: Linking the conceptualization and measurement of workaholism. Journal of Applied psychology, 105(11), 1281.
Hair Jr, J. et al. (2023). Advanced issues in partial least squares structural equation modeling. saGe publications.
Oates, W. (1971). Confessions of a workaholic: The facts about work addiction.
Clark, M. A., Smith, R. W., & Haynes, N. J. (2020). The Multidimensional Workaholism Scale: Linking the conceptualization and measurement of workaholism. Journal of Applied psychology, 105(11), 1281.
Hair Jr, J. et al. (2023). Advanced issues in partial least squares structural equation modeling. saGe publications.
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