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Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Governança Corporativa, Risco e Compliance

Título

REPUTAÇÃO CORPORATIVA E HONORÁRIOS DE NÃO AUDITORIA NO BRASIL

Palavras-chave

Reputação corporativa Serviços de não auditoria Honorários

Autores

  • Thiago Nobre Sobrinho
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Matheus Lima Silva
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Daniel Barboza Guimarães
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Paulo Henrique Nobre Parente
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Alessandra Carvalho de Vasconcelos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Resumo

Introdução

A prestação simultânea de serviços de (não) auditoria pode provocar percepções negativas entre os stakeholders, ao suscitar questionamentos quanto à imparcialidade do auditor (Doan et al., 2020). No entanto, uma reputação favorável representa uma forma de aprovação social (Faeni et al., 2025). Assim, a reputação corporativa é capaz de reduzir os problemas de agência em empresas bem avaliadas, o que pode diminuir a demanda por auditoria de alta qualidade e, consequentemente, aumentar a aceitação da contratação de serviços de não auditoria (NAS) (Huang; Kang, 2022).

Problema de Pesquisa e Objetivo

A pesquisa propõe-se a responder à seguinte questão no contexto do mercado de capitais brasileiro: qual a influência da reputação corporativa nos honorários de serviços de não auditoria? Com base nisso, o objetivo principal consiste em examinar a influência da reputação corporativa nos honorários pagos por serviços de não auditoria em empresas brasileiras de capital aberto.

Fundamentação Teórica

Uma das vantagens associadas à reputação corporativa refere-se à redução dos custos de agência. Empresas bem avaliadas tendem a apresentar menores conflitos entre gestores e acionistas, o que pode resultar em menor demanda por auditorias mais rigorosas, permitindo maior tolerância à contratação de serviços de não auditoria (NAS) (Huang; Kang, 2022). Estudos prévios analisaram a independência do auditor e a percepção do mercado sobre a qualidade da auditoria, assim buscar-se-á investigar a influência da reputação sobre o volume de honorários pagos por NAS no mercado acionário brasileiro.

Metodologia

Os dados foram coletados nos Formulários de Referência, na base Economatica® e no ranking Maiores & Melhores, da revista Exame. A amostra compreende 378 empresas listadas na B3 S/A, totalizando 1.685 observações referentes ao período de 2018 a 2022. Foram consideradas as seguintes variáveis de controle: Tamanho da empresa, Alavancagem e Auditoria por Big4. Para a análise, foram empregados modelos logit e de Mínimos Quadrados Generalizados (MQG) para dados em painel, além de testes de robustez para verificação de multicolinearidade e identificação de outliers.

Análise dos Resultados

Os resultados evidenciam que a reputação corporativa exerce influência significativa e positiva sobre a contratação de serviços de não auditoria. Quanto ao volume de honorários (PNAS), a associação com a reputação mostrou-se estatisticamente significativa apenas no modelo MQG. Adicionalmente, constatou-se que empresas de maior porte, com melhor reputação corporativa e auditadas por firmas Big Four apresentaram maiores gastos com serviços de não auditoria (NAS).

Conclusão

Conclui-se que empresas com reputação mais elevada tendem a aceitar a contratação de serviços de não auditoria (NAS) como ferramenta para acessar conhecimento especializado, sem que isso seja percebido como ameaça imediata à independência do auditor. Assim, infere-se que, no mercado de capitais brasileiro, a reputação corporativa funciona como sinal de credibilidade que amortece eventuais questionamentos sobre a objetividade do auditor, reforçando a interpretação de que a contratação de serviços adicionais pode integrar uma estratégia de criação de valor.

Contribuição / Impacto

Do ponto de vista teórico, o trabalho contribui ao integrar discussões sobre auditoria, governança e reputação ao demonstrar que a percepção dos stakeholders é capaz de condicionar decisões que afetam a estrutura de honorários. A contribuição prática do estudo sugere que os gestores que devem considerar o capital reputacional ao avaliar custos e benefícios da contratação de serviços de não auditoria (NAS), enquanto órgãos reguladores podem aprofundar a análise de materialidade desses serviços em firmas de melhor reputação.

Referências Bibliográficas

DOAN, N. T. et al. The effect of non-audit services on auditor independence: Evidence from Vietnam. The Journal of Asian Finance, Economics and Business, v. 7, n. 12, p. 445-453, 2020.
FAENI, D. P. et al. Green human resource management and sustainable practices on corporate reputation and employee well-being: A model for Indonesia’s F&B industry. Environmental Challenges, v. 18, 101082, p. 1-11, 2025
HUANG, X.; KANG, F. Do high-reputation companies pay more non-audit fees?. Accounting Research Journal, v. 35, n. 2, p. 145-159, 2022.

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