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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Governança, Ação Pública e Políticas Públicas

Título

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MERCADO DE JOGOS DE AZAR ONLINE NO BRASIL PELA LENTE DA NOVA SOCIOLOGIA ECONÔMICA

Palavras-chave

Sociologia Econômica Construção Social dos Mercados Mercado de Jogos de Azar Online no Brasil

Autores

  • Breno de Souza Ottani
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Talita da Silva Andrade
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Tiago José Bini
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)

Resumo

Introdução

Com o avanço das tecnologias digitais, os jogos de azar online se expandiram no Brasil. Esses jogos se tornaram amplamente acessíveis, mas também levantam preocupações quanto ao vício, endividamento e ausência de regulação. A construção desse mercado deve ser analisada de forma abrangente, levando em conta não apenas aspectos econômicos, mas também as dimensões institucionais, sociais e cognitivas que o envolvem, elementos que a Sociologia Econômica considera centrais. Destaca-se o papel do Estado no processo de legitimação desse mercado junto à sociedade.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Para a Sociologia Econômica, os mercados são construções sociais moldadas por disputas, assimetrias e relações de poder.

Problema de pesquisa: É possível compreender o mercado de jogos de azar online no Brasil a partir da abordagem das 3 forças sociais de Jens Beckert (2010)?

Objetivo: Propor um referencial analítico para compreender como se dá a construção social do mercado de jogos de azar online no Brasil, a partir da abordagem das 3 forças sociais de Jens Beckert (2010).

Fundamentação Teórica

A sociologia econômica é abordada, com especial enfoque à abordagem das três forças sociais de Beckert: as instituições, as redes sociais e as estruturas cognitivas. Os mercados não são entidades naturais ou espontâneas, mas construções sociais e políticas, moldadas por arranjos institucionais historicamente situados, que refletem dinâmicas de classe, interesses de grupos e intervenções estatais singulares. Eles não são claros ou evidentes, mas frutos de uma dinâmica complexa de relações sociais permanentemente trabalhadas e redefinidas.

Discussão

O mercado de jogos de azar online no Brasil é institucionalmente instável e parcialmente regulamentado. Busca-se criar um ambiente previsível e controlado, mas há dificuldades na fiscalização e proteção dos consumidores. Redes sociais legitimam os jogos, reduzindo a percepção dos riscos, especialmente entre os mais vulneráveis. A ideia de ascensão social via jogo sustenta o consumo, reforçada por discursos que criam expectativas ilusórias, em contraste com a realidade das perdas.

Conclusão

A institucionalização dos jogos de azar online no Brasil reconfigura normas sociais e jurídicas e reafirma o papel do Estado como mediador da legitimidade econômica e social. A rejeição do relatório final da CPI das Apostas revela os limites políticos da regulação e as tensões de poder existentes. O desafio é compreender esses mecanismos sociais e intervir de forma responsável. A regulação pode também construir novos pactos sociais e alterar a percepção cognitivo-simbólica dos indivíduos acerca de mercados moralmente questionáveis, contribuindo para legitimá-los ou não junto à sociedade.

Contribuição / Impacto

Foi possível compreender como empresas, plataformas, influenciadores, jogadores e o Estado disputam posições no mercado. Destaca-se a dificuldade estatal em regular um mercado institucionalmente instável, o que exige fiscalização, responsabilização de agentes econômicos e proteção das camadas mais vulneráveis da população. Também se observou como discursos reformulam percepções dos jogadores, reduzindo a percepção sobre os riscos dos jogos.

Referências Bibliográficas

BECKERT, J. The social order of markets. MPIfG Discussion Paper, n. 07/15, 2007. Disponível em: https://www.econstor.eu/handle/10419/36526. Acesso em: 29 mai. 2025.

BECKERT, J. How do fields change? The interrelations of institutions, networks, and cognition in the dynamics of markets. Organization Studies, [S.l.], v. 31, n. 5, p. 605–627, 2010.

FLIGSTEIN, N.; DAUTER, L. A sociologia dos mercados. Caderno CRH, Salvador, v. 25, n. 66, p. 481–504, set./dez. 2012.

STEINER, P. A sociologia econômica. São Paulo: Atlas, 2006.

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