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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Qualidade de Gasto e Otimização de Recursos Públicos

Título

Lei de Responsabilidade Fiscal e Transferências Condicionais e Incondicionais: Impactos Socioeconômicos nos Municípios Brasileiros

Palavras-chave

Crescimento Econômico Desenvolvimento Local Regras Fiscais
Agradecimento: Os autores agradecem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Autores

  • Carlos Cesar Santejo Saiani
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
  • Cristiano Pereira Pacheco
  • Regiane Lopes Rodrigues
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)

Resumo

Introdução

Os governos subnacionais brasileiros estão sujeitos a regras fiscais, podendo-se destacar a vinculação de receitas de transferências a despesas em áreas específicas e os limites de gastos de pessoal e endividamento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao reduzir a autonomia subnacional, tais regras podem ter consequências socioeconômicas por meio de efeitos no crescimento econômico e desenvolvimento local. O presente estudo endereça contribuições adicionais ao debate político e a literatura sobre o tema ao analisar o caso dos municípios brasileiros.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Este estudo é norteado pelo seguinte problema de pesquisa: regras fiscais geram impactos socioeconômicos nos municípios brasileiros? Os objetivos são: i) investigar os impactos da dependência de transferências no crescimento econômico e no desenvolvimento local; ii) avaliar se os eventuais impactos são heterogêneos conforme o tipo de transferência (com recursos vinculados a fins específicos ou não); e iii) averiguar se o descumprimento do limite de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar nº 101/2000 – afeta o crescimento e o desenvolvimento.

Fundamentação Teórica

Na literatura teórica, é vasto o debate sobre vantagens e desvantagens da descentralização político-fiscal, ainda mais em um contexto como o do federalismo brasileiro, com municípios com grandes diferenças socioeconômicas que se refletem em capacidades distintas para arrecadar tributos próprios e prover políticas públicas. Para lidar com este desequilíbrio horizontal, defende-se as transferências intergovernamentais. No Brasil, existem variadas transferências, assim como evidências de que resultam em efeitos adversos. Por isso, há regras fiscais que limitam o comportamento fiscal municipal.

Metodologia

Para atingir os objetivos, são realizadas regressões em painel dinâmico (GMM System) com dados municipais de 2002 a 2019. Nas análises das transferências, são consideradas os cinco repasses mais importantes desagregados e agregados em condicionais e incondicionais, conforme a vinculação ou não a fins específicos. Nas análises da Lei de Responsabilidade Fiscal, é considerado o teto de gastos com pessoal. A proxy para crescimento é a variação real quinquenal do Produto Interno Bruto per capita. As proxies para desenvolvimento são os Índices FIRJAN, geral e nas dimensões emprego-renda e educação.

Análise dos Resultados

As evidências obtidas no presente estudo sinalizam que descumprir o teto de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal é prejudicial ao produto/renda e emprego privados municipais, mas benéfica ao desenvolvimento local. Assim, a decisão de limitar ou não estes gastos no âmbito municipal passa pelo cerne da discussão crescimento versus desenvolvimento. Já a vinculação de repasses a fins específicos não é sempre superior à sua ausência na indução ao crescimento econômico e desenvolvimento local. Ademais, a arrecadação própria é relativamente mais produtiva do que as transferências.

Conclusão

As evidências, embora não sejam muito favoráveis às transferências, isoladamente, não invalidam os propósitos almejados (indenizatório, compensatório e redistributivos), que têm papel relevante no combate a desequilíbrios fiscais horizontais e, consequentemente, a desigualdades regionais. Ademais, elas mostram como é difícil estabelecer um consenso sobre as regras fiscais. Isto porque os efeitos do controle de gastos de pessoal difere entre o crescimento e o desenvolvimento e, mesmo nas transferências de um mesmo tipo, os impactos são distintos entre as dimensões do desenvolvimento.

Contribuição / Impacto

Este estudo endereça contribuições ao debate político e à literatura empírica sobre efeitos de regras fiscais que limitam comportamentos oportunistas e conflitos entre as funções do Estado em um contexto de federalismo fiscal como o brasileiro, em que os municípios são “fortes” política e financeiramente. Reconhecendo que as transferências intergovernamentais têm papel crucial na redução de desigualdades, o estudo aponta as consequências de vincular os recursos dessas fontes, assim, como de limitar gastos com pessoal. Assim, pode subsidiar debates sobre ajustes nas regras fiscais existentes.

Referências Bibliográficas

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Sen, A. K. (2001). Desigualdade reexaminada. Record, Rio de Janeiro.
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