Anais
Resumo do trabalho
Turismo e Hospitalidade · Dimensões e Contextos do Turismo e da Hospitalidade
Título
HOSPITALIDADE E DÁDIVA EM PERSPECTIVA TERRITORIAL: CONTRIBUIÇÕES PARA UMA LEITURA EPISTEMOLÓGICA
Palavras-chave
Hospitalidade
Dádiva
Território
Autores
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Raquel Arruda Carvalho de OliveiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)
Resumo
Introdução
Este artigo propõe uma revisão teórica de literatura no âmbito dos estudos em Hospitalidade, voltada à construção de um referencial epistemológico que permita compreender a hospitalidade como um fenômeno territorializado, no qual o território circunscreve as dinâmicas de trocas. Nas ciências humanas, a investigação da dimensão relacional das interações entre sujeitos é fundamental para compreender os fenômenos e as transformações manifestadas nas sociedades. Diante de tal, utiliza-se referências que buscam compreender as relações de trocas em diferentes tempos e espaços.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante da lógica neoliberal presente, que promove a transformação das relações em concorrência e dos valores em mercadorias, questiona-se: como reparar o esfacelamento dos vínculos sociais e reforçar as alianças e o senso de pertencimento à comunidade? O objetivo central do estudo é, portanto, propor uma discussão teórica sobre a Hospitalidade como conceito e prática oportuna para o tema, uma vez que pode ser compreendida enquanto um processo de mediação simbólica entre duas pessoas, com a finalidade de produzir laços sociais e alteridades.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica baseia-se em revisão qualitativa, com buscas em Periódicos da CAPES, Scielo e Google Acadêmico. Utilizam-se palavras-chave em português, inglês e francês. O estudo se ancora em autores fundamentais no campo de estudos da Hospitalidade e Dádiva, como Marcel Mauss, Jacques Godbout, Alain Caillé, Jacques Derrida, Anne Gotman e Claude Raffestin, que fornecem o alicerce teórico para a articulação entre os dois fenômenos. A inserção do conceito de território na discussão apoia-se na análise de autores mais recentes, como Isabel Baptista, Lúcio Grinover e Costa & Moesch.
Discussão
A discussão central do artigo aprofunda a hospitalidade como práxis da Dádiva, manifestada como um processo territorializado de abertura ao outro. O território é introduzido como uma variável fundamental e caminho epistemológico, visto que é construção simbólica e relacional, expressa nas práticas culturais, rituais e códigos compartilhados pelos membros de uma comunidade. Nesse contexto, entende-se a Hospitalidade como um fenômeno e também uma prática cotidiana de caráter processual e contínuo que busca a mediação com a alteridade e o fortalecimento de vínculos interpessoais.
Conclusão
A hospitalidade é um processo relacional complexo, caracterizado por trocas simbólicas e pela superação de fronteiras invisíveis que definem o universo de chegada. A dádiva, como sistema de prestações que estrutura os vínculos sociais, revela-se como a operação regente da manifestação da hospitalidade enquanto prática sociocultural, que emerge dos lugares e das relações que os constituem. Nesse sentido, o território atua como uma condição de possibilidade, pois ao mesmo tempo que confere identidade ao grupo receptor, também impõe limites a quem chega, exigindo negociações e provações.
Contribuição / Impacto
Este trabalho oferece uma contribuição ao aprofundar as discussões sobre os múltiplos sentidos e desdobramentos da hospitalidade, enfatizando sua dimensão política e cultural, uma vez que nos auxilia a pensar maneiras de reconstituir os laços, alianças e expressões fundamentais à vida coletiva. Ao propor o território como uma possibilidade epistemológica para o estudo da hospitalidade, o artigo busca expandir o campo conceitual existente. Sugere que os lugares não apenas condicionam, mas também são ativamente moldados pelas experiências de hospitalidade, ou seja, pelas interações interpessoais
Referências Bibliográficas
As referências bibliográficas que fundamentam este estudo incluem importantes obras como Baptista (2017), Benveniste (1995), Caillé (1998), Camargo (2015, 2021) , Costa & Moesch (2017), Dencker (2013), Derrida (2000, 2003), Ferro & Bastos (2024), Fischer (1994), Godbout (1998), Godelier (2001), Gotman (2008, 2011, 2019), Grassi (2011), Grinover (2006, 2019), Lokas, Petrović & Rakonjac (2023), Manzi & Toudoire-Surlapierre (2011), Mauss (2017), Pitt-Rivers (2012), Raffestin (1993, 1997), e Schlee et al (2009).