Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
ANÁLISE INTERSECCIONAL E ERGONÔMICA DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO NA HOTELARIA DE UMA CIDADE TURÍSTICA
Palavras-chave
Ergonomia
Gênero
Hotelaria
Agradecimento:
Agradecemos à Universidade Federal de Ouro Preto pela concessão de bolsa de pesquisa por meio do Programa de Iniciação à Pesquisa da UFOP - PIP/UFOP.
Autores
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Bernardo Almeida RochaUNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO (UFOP)
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Tays Chagas
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Aline dos Santos Rocha
Resumo
Introdução
O turismo em Ouro Preto/MG impulsiona o setor hoteleiro e, por consequência, a geração de empregos, sobretudo em funções operacionais desempenhadas por mulheres. No entanto, essas trabalhadoras enfrentam condições laborais marcadas por sobrecarga, baixos salários, ausência de pausas e pouca valorização. Soma-se a isso a invisibilidade de desigualdades que atravessam os marcadores sociais de gênero, raça e classe, os quais moldam profundamente suas experiências no ambiente de trabalho.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O objetivo desta pesquisa consiste em analisar as condições reais de trabalho de mulheres em funções operacionais na hotelaria de Ouro Preto/MG, a partir de uma abordagem ergonômica e interseccional. Busca-se compreender como marcadores sociais estruturam desigualdades que impactam diretamente a saúde, o bem-estar e a valorização profissional dessas trabalhadoras.
Fundamentação Teórica
Este estudo baseia-se nos pressupostos da ergonomia da atividade, que distingue o trabalho prescrito do trabalho real (Guérin et al., 2001; Daniellou, 2004), e nos aportes teóricos da interseccionalidade (Crenshaw, 1990), que consideram as opressões estruturais articuladas de gênero, raça e classe. Além disso, dialoga com a psicodinâmica do trabalho, ao abordar a relação entre prazer, sofrimento e identidade laboral (Dejours et al., 2009).
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva, baseada em entrevistas semiestruturadas com dez mulheres que atuam na hotelaria de Ouro Preto. A amostragem ocorreu por meio da técnica "bola de neve". Os dados foram submetidos à Análise de Conteúdo, o que permitiu a identificação de categorias como: condições de trabalho, saúde, desigualdades e riscos ergonômicos, a partir da escuta sensível das participantes.
Análise dos Resultados
As entrevistadas relataram jornadas exaustivas, dores físicas, estresse, acúmulo de funções e falta de pausas adequadas. A maioria são mulheres negras, com baixa escolaridade e residentes em bairros periféricos. As desigualdades interseccionais foram evidenciadas pela polivalência forçada, discriminações, ausência de EPIs e normalização da dor como parte da rotina. A análise revelou que o sofrimento laboral é agravado pela invisibilidade e pela precarização das funções desempenhadas.
Conclusão
Os resultados indicam que a precarização do trabalho feminino na hotelaria é atravessada por múltiplas opressões estruturais. As condições de trabalho evidenciam a naturalização do sofrimento, o silenciamento da dor e a ausência de reconhecimento. A análise interseccional permitiu compreender que não se trata apenas de desigualdade de gênero, mas de uma experiência laboral racializada e classista que afeta a saúde e o bem-estar das trabalhadoras.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui para a visibilidade das trabalhadoras de base no setor hoteleiro, demonstrando como a ergonomia interseccional pode diagnosticar desigualdades e orientar ações para transformações no ambiente laboral. Aponta para a urgência de políticas públicas e práticas de gestão que valorizem o trabalho feminino, promovam equidade e respeitem os direitos laborais.
Referências Bibliográficas
CRENSHAW, K. W. Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence Against Women of Color. Stanford Law Review, [s. l.], v. 43, p. 1241–1299, 1990.
DANILLOU, F. A ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. Coordenadora de tradução: Maria Irene Stocco Betiol, revisão técnico científica: Laerte Idal Sznelwar, Leila Nadim Zidam. São Paulo: Edgard Blucher, 2004.
DEJOURS, C.; ADBOUCHELI, E.; JAYET, C. Psicodinâmica do Trabalho: Contribuições da Escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. Tradução Maria Irene Stocco Betiol et al.
DANILLOU, F. A ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. Coordenadora de tradução: Maria Irene Stocco Betiol, revisão técnico científica: Laerte Idal Sznelwar, Leila Nadim Zidam. São Paulo: Edgard Blucher, 2004.
DEJOURS, C.; ADBOUCHELI, E.; JAYET, C. Psicodinâmica do Trabalho: Contribuições da Escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. Tradução Maria Irene Stocco Betiol et al.