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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Comportamento Organizacional

Título

SILÊNCIO NO AMBIENTE DE TRABALHO: MAPEAMENTO CIENTÍFICO E REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Palavras-chave

silêncio organizacional silêncio dos empregados revisão integrativa
Agradecimento: Agradecimentos à Capes e ao Instituto Federal de Minas Gerais pelo apoio na condução desta pesquisa.

Autores

  • Marcos Júnior de Moura-Paula
    INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS (IFMG)
  • Simone Costa Nunes
    PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUC MINAS)

Resumo

Introdução

A pesquisa sobre silêncio no ambiente de trabalho se inicia nos anos 2000 no Comportamento Organizacional, a partir de publicações que discutiam o silêncio organizacional e o silêncio dos empregados. Dentre as razões para se estudar o silêncio estão seus impactos sobre trabalhadores (estresse, angústia, baixa autoestima); organizações (maiores níveis de absenteísmo e rotatividade; diminuição da produtividade e redução da aprendizagem organizacional) e sociedade em geral (não informação de comportamentos ilegais ou antiéticos informados à cúpula da organizacional) (Ceribeli & Sousa, 2020).

Problema de Pesquisa e Objetivo

Considerando o esforço crescente dos pesquisadores para compreenderem o silêncio com intencionalidade nas organizações, esta pesquisa teve por objetivo mapear a produção acadêmica internacional sobre o tema, na Coleção Principal da Web of Science, no período de 2003 a 2024 e identificar os principais instrumentos de pesquisa, procedimentos de análise de dados e temas sobre silêncio no ambiente de trabalho no período de 2020 a 2024. Dehkharghani et al. (2023) analisaram as teorias, contextos e métodos das pesquisas sobre a temática até 2019, mas não realizaram um mapeamento científico do campo.

Fundamentação Teórica

Para o Comportamento Organizacional, o silêncio é um ato discricionário dos trabalhadores de não se manifestarem sobre questões de cunho econômico, moral ou social para pessoas de dentro da organização que possam modificá-las ou corrigi-las (Moura-Paula, 2014). Já para Relações de Trabalho, o silêncio é visto como um fenômeno coletivo que vai além de reter ideias, sugestões ou informações relevantes sobre o trabalho, pois ele pode ser também gerado pela gestão mediante estruturas institucionais e definição de agenda sobre temas prioritários (Donaghey et al., 2011).

Discussão

O mapeamento científico identificar, para além de autores, periódicos e trabalhos centrais no campo, temas emergente e consolidados sobre o tema, com destaque para a influência do assédio moral e do ostracismo no trabalho sobre o silêncio. Além disso, a revisão integrativa da produção mais recente do campo permitiu identificar as teorias que têm sido mais utilizadas nas pesquisas, os principais instrumentos de coleta e as técnicas de análise de dados, bem como os contextos nos quais as pesquisas têm sido conduzidas e as oportunidades de pesquisa daí decorrentes.

Conclusão

De estudos que inicialmente buscavam diferenciar silêncio e voz dos trabalhadores, passou-se a estudos sobre como o assédio moral, o ostracismo e a supervisão abusiva no trabalho podem levar a diferentes tipos de silêncio. Embora haja diferenças epistemológicas entre as perspectivas de Comportamento Organizacional e Relações de Trabalho, seria importante empreender esforços teóricos que integrem essas perspectivas para melhor compreensão do fenômeno. Além disso, parece ser necessário desenvolver/adaptar instrumentos de coleta de dados, realizar estudos mistos (quali-quanti) e longitudinais.

Contribuição / Impacto

Este trabalho contribui com a literatura ao apontar quais construtos têm sido associados ao silêncio, ao indicar quais são os trabalhos que estruturam esse campo de pesquisa e ao identificar a necessidade de se criar instrumentos de coleta de dados que contemplem as diferentes realidades das organizações ocidentais e as de outras partes do mundo. Além disso, contribui-se com a literatura nacional sobre o tema, que ainda é relativamente escassa quando se considera os desenvolvimentos teóricos e empíricos que tem havido internacionalmente.

Referências Bibliográficas

Ceribeli, H., & Sousa, T. (2020). Burnout e o silêncio organizacional. Perspectivas Contemporâneas, 15(1), 71–91.
Dehkharghani, L., Paul, J., Maharati, Y., & Menzies, J. (2023). Employee silence in an organizational context: a review and research agenda. Eur. Manag. J., 41(6), 1072-1085.
Donaghey, J., Cullinane, N., Dundon, T., & Wilkinson, A. (2011). Reconceptualising employee silence: Problems and prognosis. Work Employ. Soc., 25(1), 51-67.
Moura-Paula, M. (2014). Silêncio nas organizações: uma revisão e discussão da literatura. Rev. Adm. Mackenzie, 15(5), 15-44.

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