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Anais

Resumo do trabalho

Operações · Economia Circular

Título

A EVOLUÇÃO DA ECONOMIA CIRCULAR NA PERSPECTIVA DAS TEORIAS ORGANIZACIONAIS

Palavras-chave

Teorias Organizacionais Economia Circular Governos Locais

Autores

  • Gustavo de Lima Cezario
    Universidade de Brasília-UnB
  • Jorge Alfredo Cerqueira Streit
    ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO (FGV-EAESP)

Resumo

Introdução

O pluralismo presente na trajetória de desenvolvimento das teorias organizacionais oferece diferentes modelos de análise para a compreensão do fenômeno da transição para a Economia Circular. Sendo assim, o artigo apresenta uma revisão exploratória da literatura sobre teorias que fundamentam o pensamento organizacional a partir do modelo de camadas proposto por Scott e Davis (2016), buscando correlacionar com a evolução da Economia Circular. Em uma perspectiva prática, o trabalho busca contribuir para o aperfeiçoamento da atuação de governos locais na transição para a Economia Circular.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Os níveis operacionais na Economia Circular indicadas em Kirchherr, Reike e Hekkert (2017) incluem cidades no nível macro, mas há muitas menções na literatura que assemelham ao nível meso ou mesmo ao nível micro. No debate brasileiro sobre a Política Nacional de Economia Circular, é comum restringirem o papel dos municípios ao nível micro, como responsabilidades internas da administração pública em gestão de resíduos sólidos. O presente trabalho discute os diferentes níveis de análise na evolução da Economia Circular a partir da combinação de diferentes teorias organizacionais.

Fundamentação Teórica

O modelo de camadas teóricas elaborado por Scott e Davis (2016) analisa quatro dimensões: cronologia temporal; passagem de um modelo de sistema fechado para um sistema aberto; a dupla mudança do modelo racional para o modelo natural; níveis de análise (estrutural, psicológico social, ecológico). Para os autores, a sobrevivência e a eficácia das organizações em sistemas abertos dependem de intercâmbios contínuos de informações, energia e recursos com o ambiente externo, variando de acordo com o grau de interdependência entre as partes e com a complexidade dos componentes.

Discussão

Se os métodos criados na Escola Clássica da Administração foram responsáveis por grandes acelerações no modelo econômico linear, os modelos naturais do sistema aberto enfatizam a contribuição de serviços públicos na reversão das externalidades negativas. A Economia Circular representa um mercado intensivo em mão de obra que responde por uma transição justa de um modelo de extração de minerais à restauração do valor das matérias primas. O poder local pode assumir liderança na conscientização e no estímulo à cooperação dos atores pela maior taxa de circularidade.

Conclusão

O modelo de camadas proposto por Scott e Davis (2016) demonstrou ser útil para compreender o fenômeno da Economia Circular. O tema da transição para Economia Circular, sobretudo o papel dos governos locais, ganhou força principalmente na última fase do período histórico com a difusão de teorias no nível ecológico. A perspectiva estrutural das organizações na Economia Circular é a mais antiga e está relacionada ao nível operacional micro, a exemplo de eficiência energética dos processos, a otimização da gestão de recursos, minimizando perdas dos sistemas produtivos.

Contribuição / Impacto

O artigo aponta para a necessidade de uma revisão sistemática da literatura sobre os diferentes níveis de análise da atuação na Economia Circular da administração pública municipal. É preciso ainda avançar na taxonomia sustentável a fim de maior clareza sobre como fomentar o desenvolvimento desta cadeia de valor. Se na visão neoclássica, quanto maior for a produção e o consumo, maior é o crescimento econômico, busca-se um papel ativo dos governos locais no estímulo da iniciativa privada para uma atuação inversa, ou seja, quanto mais serviços, maior é a circularidade no território.

Referências Bibliográficas

Haveman, H. A. (2022). The power of organizations: A new approach to organizational theory. Princeton University Press
Kirchherr, J., Reike, D., & Hekkert, M. (2017). Conceptualizing the circular economy: An analysis of 114 definitions. Resources, conservation and recycling, 127, 221-232
Pache, A. C., & Santos, F. (2010). When worlds collide: The internal dynamics of organizational responses to conflicting institutional demands. Academy of management review, 35(3), 455-476
Scott, W. R., & Davis, G. F. (2016). Organizations and organizing: Rational, natural and open systems perspectives.

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