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Anais

Resumo do trabalho

Estratégia em Organizações · Plataformas digitais, Redes, Clusters e Ecossistemas de Negócios

Título

RECONFIGURAÇÃO OU ACOMODAÇÃO? ECOSSISTEMAS NO CONTEXTO DO OPEN FINANCE

Palavras-chave

Ecossistemas Open Finance Setor Financeiro
Agradecimento: Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pelo apoio financeiro, por meio da concessão de bolsa de estudos, que viabilizou a realização desta pesquisa.

Autores

  • Luiz Fernando Fogaça Vieira
    UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
  • Walter Bataglia
    UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)

Resumo

Introdução

O setor financeiro brasileiro passa por transformações intensas, marcadas pela digitalização, redução de agências físicas e entrada de fintechs e plataformas. Nesse contexto, o Open Finance é apresentado como política pública capaz de reconfigurar o ecossistema financeiro nacional. Contudo, seu impacto prático sobre os modelos de negócio das instituições financeiras permanece incerto, sendo necessário investigar se atua como vetor de transformação ou apenas infraestrutura funcional.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O artigo investiga se o Open Finance, embora tecnicamente consolidado, tem gerado impactos significativos nos modelos de negócio das instituições financeiras. O objetivo é analisar criticamente o grau de impacto do Open Finance no setor, contrastando seu potencial percebido com sua utilização prática.

Fundamentação Teórica

A análise fundamenta-se em três eixos teóricos: ecossistemas digitais (Moore, Gawer, Jacobides), regulação institucional e governança de dados (Schreieck et al., Bataglia et al.) e modelos de negócio dinâmicos (Teece, Christensen, Osterwalder & Pigneur). Esses referenciais permitem compreender como as instituições operam em contextos regulados e como tecnologias abertas são apropriadas de modo estratégico.

Metodologia

Adota-se abordagem qualitativa exploratória com análise documental e categorial indutiva. O corpus inclui relatórios do Banco Central, documentos institucionais de bancos — RC4 (grupo dos maiores bancos do país), Nubank (maior receptor de dados) e Santander (pela sua relevância setorial) —, além de portais oficiais e relatórios de consultorias. A análise de conteúdo seguiu as etapas de pré-análise, codificação aberta e interpretação das categorias emergentes.

Análise dos Resultados

Os resultados mostram que o Open Finance é amplamente aderido como infraestrutura, mas sua apropriação estratégica ainda é limitada. Observa-se personalização sem cocriação, inovação funcional sem ruptura e ecossistemas fechados em vez de redes interdependentes. A atuação regulatória é robusta, mas o Open Finance ainda não atingiu seu potencial de transformação estrutural.

Conclusão

O Open Finance ainda não se consolidou como motor de transformação dos modelos de negócio no setor financeiro. Funciona como agregador de dados e facilitador técnico, mas sem gerar ecossistemas colaborativos ou inovação significativa. Apesar da infraestrutura consolidada, da adesão crescente e do discurso de modernização, as estratégias permanecem centralizadas e autocentradas, limitando o potencial redistributivo, a cocriação de valor e a integração efetiva entre agentes do sistema financeiro.

Contribuição / Impacto

O estudo revela a dissociação entre a robusta estrutura regulatória do Open Finance e sua apropriação prática limitada pelas instituições. Embora haja potencial para inovação, inclusão e redistribuição, o setor ainda opera de forma concentrada. A análise oferece subsídios para ajustes regulatórios que incentivem modelos de negócio mais abertos, colaborativos e centrados no usuário.

Referências Bibliográficas

Bataglia, F. et al. (2025). Ecossistemas regulados e competição no Open Finance brasileiro. RAC.
Gawer, A. (2020). Digital platforms’ boundaries. Innovation, 22(1), 1–21.
Jacobides, M. et al. (2018). Towards a theory of ecosystems. SMR, 60(1), 38–48.
Osterwalder, A., & Pigneur, Y. (2010). Business Model Generation. Wiley.
Schreieck, M. et al. (2022). Governing ecosystems. Technol. Forecast. Soc. Change, 174.
Teece, D. J. (2010). Business models, strategy and innovation. Long Range Planning, 43(2–3), 172–194.
Ramaswamy, V., & Ozcan, K. (2014). The co-creation paradigm. Stanford University Press

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