Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Políticas, Modelos e Práticas de gestão de pessoas
Título
DISCURSOS DE SEDUÇÃO E IDEOLOGIA GERENCIALISTA: UM OLHAR CRÍTICO SOBRE PRÁTICAS COMUNICACIONAIS EM STARTUPS BRASILEIRAS
Palavras-chave
Gerencialismo
Análise do Discurso Crítica
Sedução
Autores
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Leonardo TononUNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ (UTFPR)
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Celso Giancarlo Duarte de MazoUNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ (UTFPR)
Resumo
Introdução
Este artigo investiga como discursos de sedução presentes na comunicação institucional de startups brasileiras contribuem para a reprodução da ideologia gerencialista. Com base na Análise de Discurso Crítica (ADC), analisa postagens da Checkmob e da Leigado no LinkedIn, evidenciando como a linguagem organiza afetos, engajamento e pertencimento, naturalizando práticas de controle e intensificação do trabalho.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O presente artigo tem como problema de pesquisa a pergunta: Como os discursos de sedução contribuem para a (re)produção de práticas gerencialistas adotadas em startups? Com base neste questionamento, definiu-se como objetivo identificar os principais temas e padrões presentes nos discursos de sedução utilizados por fundadores e/ou gestores de startups ao se comunicarem com funcionários. Parte-se da premissa de que tais discursos não são neutros, mas funcionam como instrumentos de legitimação de formas contemporâneas de dominação, ao mesmo tempo em que se revestem de uma retórica de modernidade
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica articula três eixos principais: (1) a Análise de Discurso Crítica (ADC), de Fairclough, que entende o discurso como prática social constitutiva das relações de poder, útil para compreender como a linguagem organiza identidades e legitima racionalidades organizacionais (Fairclough, 2010; 2014); (2) a ideologia gerencialista, analisada por Gaulejac (2007), que revela como a lógica da gestão se transforma em valor absoluto, promovendo autoexploração e adesão subjetiva aos objetivos corporativos, (3) os mecanismos simbólicos de sedução nas startups, conforme Vieira (2014)
Metodologia
No contexto desta pesquisa, optou-se pelo modelo tridimensional de Fairclough, que concebe o discurso em três dimensões inter-relacionadas: discurso como texto, discurso como prática discursiva e discurso como prática social. Esse modelo encontra-se ancorado na Teoria Social do Discurso (TSD) de Fairclough (2016), constituindo-se como a base teórica fundamental da Análise de Discurso Crítica (ADC). O corpus da pesquisa é composto por postagens institucionais publicadas na plataforma LinkedIn, produzidas por duas startups brasileiras entre os anos de 2018 e 2024.
Análise dos Resultados
A pesquisa analisou postagens institucionais das startups Checkmob e Leigado no LinkedIn, com base na Análise de Discurso Crítica (ADC) de Fairclough. Os resultados revelam que ambas utilizam discursos de sedução simbólica para promover adesão subjetiva dos trabalhadores às suas lógicas organizacionais, reforçando a ideologia gerencialista sob uma estética de modernidade e bem-estar.
Conclusão
Os achados evidenciam que, embora as startups projetem uma imagem inovadora, horizontal e humanizada, suas comunicações institucionais reproduzem de forma sofisticada os valores centrais do gerencialismo. Ambas as startups naturalizam práticas de controle e intensificação do trabalho, disfarçadas sob discursos de paixão, acolhimento e propósito. A linguagem, assim, atua como ferramenta de dominação simbólica, moldando subjetividades alinhadas às exigências organizacionais.
Contribuição / Impacto
Ao focar nas startups, o estudo amplia o escopo das investigações críticas sobre as novas configurações do trabalho, evidenciando como o discurso cumpre papel central na legitimação de práticas organizacionais hegemônicas. Entre as contribuições práticas, destaca-se a necessidade de reflexão crítica por parte de gestores, comunicadores e profissionais de recursos humanos sobre os efeitos dos discursos institucionais na saúde mental, no engajamento e na autonomia dos trabalhadores, e reafirma a importância de compreender o discurso como prática social que produz realidades e subjetividades.
Referências Bibliográficas
FAIRCLOUGH, N. Critical Discourse Analysis: The Critical Study of Language. 2. ed. Londres e Nova York: Routledge, 2010.
FAIRCLOUGH, N. Análise crítica do discurso: o papel da linguagem na construção social. Tradução: Izabel Magalhães. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
FAIRCLOUGH, N.; WODAK, R. Discourse and Organizational Change: A CDA Perspective. Journal of Business Ethics, v. 176, n. 3, 2022, p. 523-538.
GAULEJAC, V. O sujeito nas organizações: uma perspectiva psicossociológica. 2. ed. São Paulo: Ideias & Letras, 2007.
FAIRCLOUGH, N. Análise crítica do discurso: o papel da linguagem na construção social. Tradução: Izabel Magalhães. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
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