Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Ambiente, Territorialidades e Políticas Públicas
Título
Antropoceno, Racismo Ambiental e a prevalência da dengue no Brasil perante o cenário de mudanças climáticas
Palavras-chave
racismo ambiental
dengue
mudanças climáticas
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais – FAPEMIG por meio do programa PAPG.
Autores
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Aline da Cunha MirandaUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Flávia Luciana Naves MafraUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
Resumo
Introdução
Os efeitos das mudanças climáticas na época do Antropoceno contribuem para que impactos negativos recaiam com maior intensidade sobre as populações vulneráveis. Dentre esses impactos, encontra-se a proliferação de doenças transmitidas por vetores, as chamadas arboviroses, como a dengue (Barcellos et al., 2024). Ao considerar o contexto histórico brasileiro, para que os grupos vulnerabilizados tenham acesso a políticas de prevenção e tratamento da dengue e de outras doenças, é preciso considerar o Racismo Ambiental como determinação social da saúde, além de fatores sociais e históricos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa consiste em compreender como o Racismo Ambiental pode ser interpretado como um processo de determinação social na prevalência da dengue em determinados territórios. Parte-se da literatura e de contextos históricos de que o aumento de casos da doença está relacionado a negligência histórica tanto dos territórios quanto da própria doença, sendo que a recorrência da doença, principalmente no contemporâneo, é agravada pelos impactos das mudanças climáticas que não afeta todas as pessoas da mesma maneira.
Fundamentação Teórica
O conceito de Antropoceno, proposto nos anos 2000, aponta que as mudanças no planeta não são só naturais, mas também causadas pela ação humana. Contudo, é criticado por não evidenciar desigualdades. O racismo ambiental, surgido nos anos 1980 nos EUA, complementa essa análise ao mostrar negligências estatais e empresariais contra grupos específicos (Bullard, 2013). A dengue, doença tropical negligenciada, cresce com as mudanças climáticas, exigindo estudos aprofundados sobre os fatores que elevam sua prevalência, especialmente em populações vulneráveis.
Discussão
No cenário atual, onde os efeitos das mudanças climáticas se tornam evidentes, a divisão social e territorial definem a intensidade e as maneiras de enfrentamento dos impactos. Assim, considerando a dengue como um problema intensificado perante as mudanças climáticas e condições de urbanização (Barcellos et al., 2024), a relação com o racismo ambiental passa necessariamente ao primeiro plano, compreendendo que o avanço da doença não depende exclusivamente do aumento do vetor, mas concomitantemente, de fatores ambientais, climáticos e sociais.
Conclusão
O aumento da prevalência da dengue, como um dos impactos das mudanças climáticas, afeta de maneira desproporcional grupos socialmente vulnerabilizados, nos alertando que os efeitos negativos não serão sentidos na mesma intensidade por todos os grupos. Por isso, a compreensão sobre o aumento de doenças que possuem como agravante as mudanças climáticas, precisam ser compreendidas também contemplando fatores sociais e territoriais.
Contribuição / Impacto
Ao articular o racismo ambiental como determinação social da dengue, pretende-se fomentar debates interdisciplinares, coletivos e críticos, sem desconsiderar os fatores históricos que influenciam a mitigação de doenças que vem se intensificando pelos impactos das mudanças climáticas. Assim, o propósito é colaborar para o desenvolvimento de reflexões que avancem conceitualmente para o desenvolvimento de políticas públicas de combate à dengue considerando fatores históricos, sociais e territoriais nem sempre evidentes.
Referências Bibliográficas
BARCELLOS, C. et al., Climate change, thermal anomalies, and the recent progression of dengue in Brazil. Sci Rep, v. 11, n. 14, p.5948. DOI: 10.1038/s41598-024-56044-y.
BULLARD, R. et al., vivendo na linha de frente da luta ambiental: Lições das comunidades mais vulneráveis dos Estados Unidos. Revista de Educação, Ciências e Matemática, v.3 n.3, set./dez. 2013 ISSN 2238-2380.
CRUTZEN, P. The Anthropocene. In: EHLERS, E.; KRAFFT, T. (eds) Earth System Science in the Anthropocene, 2000. Springer, Berlin, Heidelberg. DOI: https://doi.org/10.1007/3-540-26590-2_3.
BULLARD, R. et al., vivendo na linha de frente da luta ambiental: Lições das comunidades mais vulneráveis dos Estados Unidos. Revista de Educação, Ciências e Matemática, v.3 n.3, set./dez. 2013 ISSN 2238-2380.
CRUTZEN, P. The Anthropocene. In: EHLERS, E.; KRAFFT, T. (eds) Earth System Science in the Anthropocene, 2000. Springer, Berlin, Heidelberg. DOI: https://doi.org/10.1007/3-540-26590-2_3.