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Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · Valores, Sentidos e Vínculos no/do Trabalho

Título

VALORES DO TRABALHO NO CONTEXTO DA ECONOMIA CRIATIVA: um estudo com músicos empreendedores da cidade de Montes Claros

Palavras-chave

Escala EVT-R Músicos Economia Criativa
Agradecimento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Autores

  • Maria Vitoria Ferreira Amaro
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS (UNIMONTES)
  • Cledinaldo Aparecido Dias
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS (UNIMONTES)
  • Júlia Fernandes Santos
  • Maria Fernanda Marques Araujo
  • Laura Melo de Andrade

Resumo

Introdução

No âmbito da economia criativa, muitos trabalhadores encaram suas práticas não apenas como fontes de renda, mas como expressões de identidade, cultura e propósito. Para esses sujeitos, o trabalho parece estar imbricado com significados simbólicos, afetivos e existenciais, o que convida à investigação sobre os valores subjetivos que dão sentido às suas escolhas e trajetórias profissionais. Compreender os valores do trabalho nesse contexto pode ampliar o entendimento sobre formas alternativas de inserção no mundo do trabalho que desafiam o esmero da produtividade e da racionalidade econômica.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Na busca de contribuir para as reflexões sobre o trabalho musical no campo da economia criativa, este artigo problematiza: quais seriam os valores do trabalho do profissional músico no município de Montes Claros? Para responder essa questão este trabalho se propõe a analisar os valores motivacionais que orientam a prática profissional de músicos atuantes na cidade de Montes Claros, Minas Gerais, a partir da intersecção entre os conceitos de valores do trabalho e os fundamentos da economia criativa.

Fundamentação Teórica

A pesquisa articula a teoria dos valores do trabalho (Porto & Tamayo, 2003; Porto & Pilati, 2010) à abordagem da economia criativa (Howkins, 2001; Machado, 2016), com foco na atividade musical (Cerqueira, 2018). Para tanto, parte de uma avaliação qualitativa das dimensões da Escala Revisada de Valores Relativos ao Trabalho (EVT-R), sejam: realização, relações sociais, prestígio e estabilidade, utilizadas para interpretar motivações de artistas em contextos instáveis, autogeridos e culturalmente simbólicos.

Metodologia

Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório e de campo, realizado com oito músicos independentes de Montes Claros/MG por meio de entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo. Utilizou-se a técnica bola de neve para seleção dos participantes. A Escala EVT-R foi adaptada para captar, de forma contextualizada as subjetividades dos valores do trabalho. As falas foram categorizadas em quatro dimensões: realização, relações sociais, prestígio e estabilidade, revelando motivações presentes na economia criativa musical.

Análise dos Resultados

A pesquisa revelou que os músicos entrevistados articulam realização profissional à autonomia criativa e ao retorno financeiro, mas enfrentam instabilidade e precariedade no setor. Relações sociais atuam como suporte afetivo e estratégico da carreira. O prestígio está ligado à validação pública e autoestima, embora traga tensões com a privacidade e liberdade. A instabilidade é estrutural e leva à autogestão e múltiplas atividades para subsistência, o que reforça os desafios da profissionalização no mercado musical e as fragilidades de muitos profissionais que atuam na economia criativa.

Conclusão

A pesquisa evidenciou que músicos empreendedores de Montes Claros atribuem ao trabalho valores como realização, prestígio e justiça, mas enfrentam desafios ligados à instabilidade, falta de reconhecimento e informalidade. Embora a música represente projeto de vida e fonte de identidade, a precarização exige estratégias de autogestão e demanda por políticas públicas. Sugere-se que estudos futuros ampliem a abordagem, explorem variáveis sociais e comparem diferentes contextos da economia criativa.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui para o debate sobre trabalho e cultura, ao analisar a experiência de músicos fora dos grandes centros urbanos. Propõe a adaptação qualitativa da EVT-R para contextos criativos e destaca a necessidade de políticas públicas específicas. Ademais, traz subsídios para a valorização e reflexão quanto a representação simbólica e institucional de profissões artísticas que se encontram no bojo da Economia Criativa.

Referências Bibliográficas

Porto, J. B., & Pilati, R. (2010). Escala revisada de valores relativos ao trabalho (EVT-R). Psicologia: Reflexão e Crítica, 23(1), 73–82.
Porto, J. B., & Tamayo, A. (2007). Estrutura dos valores pessoais: A relação entre valores gerais e laborais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 23(1), 63–70.
Cerqueira, A. C. (2018). Viver de música: empreendedorismo cultural e precarização do trabalho. Cadernos de Estudos Sociais, 33(1), 81–100.
Howkins, J. (2001). The creative economy: How people make money from ideas. Penguin.

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