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Resumo do trabalho

Finanças · Finanças Comportamentais

Título

DIFERENÇAS NA CIDADANIA FINANCEIRA ENTRE BRASIL E FRANÇA: O PAPEL DAS VARIÁVEIS SOCIOECONÔMICAS E DEMOGRÁFICAS

Palavras-chave

cidadania financeira inclusão financeira alfabetização financeira

Autores

  • Ana Luíza Paraboni
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Ani Caroline Grigion Potrich
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Christine Duarte do Vale Pereira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Isabella Ferreira da Silva Bezerra
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • julia bez batti

Resumo

Introdução

O cenário econômico em mudança tem redefinido as relações entre indivíduos e instituições financeiras, ampliando o número de investidores, ainda que muitas vezes sem preparo adequado, o que gera riscos nas decisões financeiras. Diante disso, destaca-se a importância do fortalecimento da cidadania financeira, um conceito que envolve inclusão, alfabetização e proteção financeira, visando preparar melhor os cidadãos para interagir com o sistema financeiro, reduzir desigualdades e fomentar uma participação mais consciente e equitativa nas decisões econômicas e políticas que afetam a sociedade.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O interesse acadêmico pela cidadania financeira tem crescido, com destaque para o papel de variáveis socioeconômicas e demográficas, como gênero, estado civil, escolaridade e renda, que influenciam as decisões financeiras. Somam-se a essas desigualdades as disparidades culturais, que também se mostram relevantes para a compreensão da cidadania financeira. Assim, o presente estudo objetiva investigar as diferenças de cidadania financeira entre brasileiros e franceses, considerando ainda aspectos socioeconômicos e demográficos.

Fundamentação Teórica

Mulheres tendem a apresentar níveis inferiores de alfabetização e inclusão financeira (Kazemikhasragh et al., 2022). Estado civil, escolaridade, ocupação, possuir dependentes e nível de renda, (Kazemikhasragh et al., 2022; Song; Li; Wu, 2024; Singh et al., 2018) também podem influenciar as decisões financeiras. Além disso, no Brasil, desde 2010, o Programa Educação Financeira nas Escolas vem sendo implementado. Na França, a política nacional de educação financeira teve início em 2013, avançando em 2016 com a criação do Comitê Nacional de Educação Financeira.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, utilizando o método survey para a coleta de dados, por meio de questionários estruturados aplicados a uma amostra não probabilística por conveniência, composta por indivíduos com 18 anos ou mais, residentes no Brasil e na França. O instrumento foi estruturado com na Escala de Percepção de Cidadania Financeira (EPCF). A análise dos dados contemplou estatísticas descritivas e a aplicação de testes de diferença de médias, incluindo o teste t de Student e a ANOVA com comparações post hoc.

Análise dos Resultados

Brasileiros apresentam maior inclusão e alfabetização financeira em comparação aos franceses, apesar de terem menor escolaridade média. A proteção financeira não apresentou diferença significativa entre os países, mas os franceses demonstraram percepção mais positiva sobre a adequação dos produtos financeiros, ao passo que confiaram menos nos mecanismos de reclamação. Além disso, no Brasil e na França, a cidadania financeira mostrou-se diferente de acordo com variáveis socioeconômicas como gênero, escolaridade, ocupação e classe social, evidenciando desigualdades internas relevantes.

Conclusão

Os achados indicam que a cidadania financeira é um fenômeno complexo, moldado não apenas pelas diferenças culturais e institucionais entre países, mas também pelas desigualdades socioeconômicas dentro das populações. No Brasil, políticas como a ENEF e a expansão das tecnologias financeiras parecem contribuir para níveis mais elevados de cidadania financeira, mesmo diante de menor escolaridade média. Já na França, a regulação rigorosa fortalece a adequação dos produtos financeiros, embora desafios permaneçam na percepção de proteção do consumidor.

Contribuição / Impacto

Este estudo contribui para o campo das finanças comportamentais e da educação financeira ao oferecer evidências empíricas comparativas entre dois contextos nacionais distintos. Ao identificar variações significativas nas médias das dimensões da cidadania financeira entre grupos sociais e entre países, a pesquisa fornece subsídios para a formulação de políticas públicas mais equitativas e direcionadas. O estudo também reforça a importância de iniciativas de educação financeira contínuas e adaptadas às especificidades culturais, tecnológicas e regulatórias de cada sociedade.

Referências Bibliográficas

KAZEMIKHASRAGH, A.; PINEDA, M. V. B. Financial inclusion and education: an empirical study of financial inclusion in the face of the pandemic emergency due to Covid‐19 in Latin America and the Caribbean. Review of Development Economics, v. 26, n. 3, p. 1785-1797, 2022.
SINGH, B.; SHARMA, M. K. Socio-economic status and financial inclusion. Message from the Chief Editor, v. 50, p. 1, 2018.
SONG, X.; LI, J.; WU, X. Financial inclusion, education, and employment: empirical evidence from 101 countries. Humanities and Social Sciences Communications, v. 11, n. 172, 2024.

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