Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · As faces da Diversidade
Título
ENTRE INVISIBILIDADE E RESISTÊNCIA: A TRAJETÓRIA LABORAL DE MULHERES NEGRAS NAS SECRETARIAS MUNICIPAIS DE NOVA IGUAÇU - RJ
Palavras-chave
Racismo Institucional
Gestão de Pessoas na Área Pública
Mulheres Negras
Autores
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Nathalia OliveiraUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO (UFRRJ)
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Janaína Machado SimõesPPGPDS/UFRRJ e PPGAd/UFF
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Luiz Alberto de Lima LeandroUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO (UFRRJ)
Resumo
Introdução
O racismo institucional, definido como práticas organizacionais que, mesmo sem intenção declarada de discriminação, produzem impactos negativos sobre determinados grupos raciais (Bento, 2022), atua como barreira concreta à inclusão, à valorização e à ascensão de pessoas negras no ambiente organizacional. Para mulheres negras, essa realidade se agrava pela interseção entre raça, gênero e classe, gerando uma trajetória laboral marcada por subalternidade, invisibilidade e exclusão simbólica e material (Hooks, 2021; Carneiro, 2011; Davis, 2013).
Problema de Pesquisa e Objetivo
O racismo, mais do que um comportamento individual, é um fenômeno estrutural que sustenta hierarquias sociais e molda o acesso a direitos e oportunidades (Almeida, 2019; Gonzalez; Hasenbalg, 1982). É nesse cenário que se insere a presente pesquisa, cujo objetivo central é compreender como os elementos do racismo institucional afetam a trajetória laboral da mulher negra nas secretarias de governo do município de Nova Iguaçu - RJ. Ademais, analisou-se a percepção das participantes quanto à existência, ou ausência, de políticas e práticas institucionais voltadas ao enfrentamento do racismo.
Fundamentação Teórica
O racismo é entendido como uma forma sistemática e estruturante de opressão, baseada na hierarquização racial (Almeida, 2019, p. 22–23). Para além do plano estrutural, o racismo institucional refere-se às práticas, políticas e normas organizacionais que produzem efeitos discriminatórios, independentemente da intenção dos agentes envolvidos (Bento, 2022, p. 55–56). Ele se manifesta tanto pela ausência de diversidade quanto pela naturalização de estruturas excludentes. Como afirma Almeida (2019, p. 31), as instituições são racistas porque a sociedade que as constitui o é.
Metodologia
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com apoio complementar de dados quantitativos. O instrumento de coleta de dados foi um formulário semiestruturado, enviado eletronicamente às servidoras públicas negras atuantes nas secretarias municipais de Nova Iguaçu - RJ. O formulário contemplava questões fechadas (de natureza quantitativa) e abertas (de natureza qualitativa), além da incorporação do Checklist de Combate ao Racismo Institucional, disponibilizado pela Fundação Oswaldo Cruz (2025). A análise dos dados coletados seguiu os procedimentos sistematizados por Gil (2008).
Análise dos Resultados
A análise dos dados permitiu compreender como as estruturas institucionais reproduzem práticas de discriminação racial que impactam negativamente a trajetória laboral de mulheres negras em órgãos públicos municipais. Os resultados apontam que o racismo institucional se manifesta de forma difusa e persistente, operando como um mecanismo de exclusão que dificulta o acesso, a permanência e a ascensão profissional dessas mulheres nas secretarias de governo de Nova Iguaçu-RJ. Essa lógica reforça o que Bento (2022) aponta como a dimensão estruturante do racismo nas organizações.
Conclusão
Conclui-se que o racismo institucional se manifesta de forma complexa e multidimensional: ora por meio de práticas simbólicas de exclusão e deslegitimação, ora por barreiras materiais que limitam o acesso a cargos de decisão, a valorização profissional e a equidade salarial. Além da fragilidade das ações de promoção da diversidade racial no interior da administração pública, a trajetória das mulheres negras estudadas revela tensões entre resistência e subalternidade, entre avanços pontuais e estruturas que se mantêm rigidamente excludentes.
Contribuição / Impacto
O impacto do estudo reside tanto na escassez de pesquisas empíricas sobre o tema em contextos institucionais municipais quanto na urgência de ampliar o debate sobre justiça racial no campo da gestão pública. Ao dar visibilidade às experiências de mulheres negras no serviço público, esta pesquisa contribui para o aprofundamento crítico da literatura sobre racismo institucional, gestão de pessoas e equidade nas organizações públicas, reforçando a necessidade de práticas e políticas antirracistas que reconheçam as múltiplas dimensões da desigualdade e promovam justiça social no mundo do trabalho.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural Feminismos Plurais, Coordenação Djamila Ribeiro. São Paulo: Pólen, 2019.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras,2022.
DAVIS, Angela. Mulher, Raça e Classe. Plataforma Gueto, 2013.
GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra - Guia de Enfrentamento do Racismo Institucional, 2013. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/wpcontent/uploads/2013/12/Guia-de- enfrentamento-ao-racismo-institucional.pdf. Acesso em: 14 de dez. 2024.
HOOKS, Bell. Eu não sou uma mulher? mulheres negras e feminismo. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 2019.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras,2022.
DAVIS, Angela. Mulher, Raça e Classe. Plataforma Gueto, 2013.
GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra - Guia de Enfrentamento do Racismo Institucional, 2013. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/wpcontent/uploads/2013/12/Guia-de- enfrentamento-ao-racismo-institucional.pdf. Acesso em: 14 de dez. 2024.
HOOKS, Bell. Eu não sou uma mulher? mulheres negras e feminismo. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 2019.