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Anais

Resumo do trabalho

Marketing · Marketing e Sociedade

Título

Quem pode ser mãe? Uma reflexão crítica sobre o papel do marketing e a experiência lésbica no mercado de reprodução assistida brasileiro

Palavras-chave

Macromarketing Teoria Queer Reprodução Assistida
Agradecimento: Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro que tornou possível a realização desta pesquisa. O incentivo à formação acadêmica e à produção científica no Brasil é fundamental, e o suporte da CAPES foi essencial para o desenvolvimento deste trabalho.

Autores

  • Ernanda Gabrielly da Silva Vasconcelos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
  • Maria Naftally Dantas Barbosa
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
  • Lívia Matos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)

Resumo

Introdução

A produção acadêmica, especialmente no campo do marketing, tem sido historicamente atravessada pela ausência de vozes femininas, pela hegemonia de perspectivas heteronormativas e pela prevalência de uma agenda etnocêntrica, patriarcal e colonial. Esse cenário não só moldou a produção científica, mas também restringiu debates importantes sobre gênero, sexualidade e colonialidade. Como consequência, pesquisas conduzidas para e por mulheres permanecem em posições periféricas, com baixa visibilidade na área.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Esse cenário nos revela que, mesmo diante de avanços pontuais, o marketing segue demandando reflexões críticas que abram espaço para outras vozes, corpos e formas de produzir conhecimento. A lacuna revela não apenas a marginalização desses sujeitos, mas a urgência de desenvolver análises mais críticas sobre os modos como o mercado regula e legitima determinadas formas de existência. Assim, este ensaio tem como objetivo refletir sobre como o mercado brasileiro de reprodução assistida impõe barreiras simbólicas, normativas e institucionais ao acesso à maternidade por parte de mulheres lésbicas

Fundamentação Teórica

O referencial está estruturado em três eixos: o macromarketing, a perspectiva decolonial e a teoria queer. Inicialmente, discutimos o macromarketing como um campo crítico do marketing que permite analisar como os mercados estão imbricados em sistemas sociais, políticos e culturais. Em seguida, apresentamos os principais conceitos da perspectiva decolonial, com foco na crítica à colonialidade do saber e à reprodução de modelos eurocentrados de família, corpo e maternidade. Por fim, exploramos a teoria queer como ferramenta teórico-política que desestabiliza normas de gênero e sexualidade.

Discussão

O mercado de reprodução assistida é apresentado como um espaço de consumo técnico, neutro e inclusivo, que oferece diversas alternativas de tratamento para quem deseja ter filhos. No entanto, esse discurso de pluralidade esbarra em barreiras significativas, como o alto custo dos procedimentos e exigências normativas que, na prática, restringem o acesso a determinados grupos sociais (Amorim, 2021; Felipe & Tamanini, 2022). O que está em jogo, portanto, não é apenas o acesso a tecnologias reprodutivas, mas a própria definição de quem é reconhecido como sujeito legítimo do desejo de maternar.

Conclusão

Embora esse mercado seja apresentado como plural e neutro, ele reproduz exclusões baseadas em marcadores de classe, raça, gênero e sexualidade. A promessa de liberdade reprodutiva, quando atravessada pelas lógicas da cisheteronormatividade, do produtivismo biomédico e da colonialidade, opera de maneira seletiva, delimitando quem pode ser reconhecido como sujeito legítimo de maternar. Articulando entre essas três abordagens, ampliou-se o escopo do marketing, deslocando-o de uma função meramente instrumental para uma lente capaz de questionar os dispositivos de poder que operam nos mercados.

Contribuição / Impacto

As contribuições deste ensaio se desdobram em três eixos interdependentes: acadêmico, prática/gerencial e social. Acadêmico, pois propõe uma articulação entre macromarketing crítico, teoria queer e descolonialidade para compreender o mercado de reprodução assistida. Prática/gerencial, por elaborar protocolos clínicos antirracistas e antidiscriminatórios e desenhar políticas públicas de subsídio e parcerias público‑privadas. E social por fortalecer redes de apoio LGBTQIA+ e grupos de reprodução assistida por meio de espaços de troca de saberes e ações de advocacy.

Referências Bibliográficas

Amorim, A. C. H. (2021). Fazer parentesco: leis, normativas e o acesso de casais de mulheres lésbicas cisgêneras às tecnologias reprodutivas no Brasil e na França. Encuentros Latinoamericanos (segunda época), 5(2), 155-179.
Felipe, M. G., & Tamanini, M. (2020). Inseminação caseira e a construção de projetos lesboparentais no Brasil. Revista Ñanduty, 8(12), 18-44.

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