Anais
Resumo do trabalho
Gestão da Inovação · Dimensões da Criatividade, do Comportamento e Cultura Organizacional para Inovação
Título
Silêncio Estratégico na Liderança: o não dito como potência para a inovação
Palavras-chave
Silêncio Estratégico
Inovação
Voz dos funcionários
Autores
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Márcio FinamorUNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)
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Davi José de Souza da SilvaUNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)
Resumo
Introdução
O estudo analisa o silenciamento organizacional e seus efeitos sobre a inovação. Apesar do discurso de incentivo à voz, a falta de mecanismos adequados compromete a expressão plena e a circulação de saberes. O silêncio, quando acolhido com ética e reflexividade, pode se tornar um recurso legítimo. Com base em entrevistas com líderes educacionais e análise temática reflexiva, aponta-se o paradoxo da escuta institucional falha e defende-se a valorização de vozes marginalizadas para ampliar a inovação.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Voz e silêncio têm ganhado destaque nos estudos organizacionais. Enquanto a voz contribui com melhorias e compartilhamento de saberes, o silêncio pode levar à perda de informações críticas. O silêncio estratégico, quando situado, pode ter valor. No entanto, sua eficácia ainda é pouco investigada. Diante disso, este estudo questiona como líderes percebem e respondem ao silêncio organizacional e de que forma suas ações podem favorecer o surgimento ou o resgate de vozes silenciadas.
Fundamentação Teórica
O silêncio organizacional, entendido como ausência de pluralismo e mudança (Morrison; Milliken, 2000), compromete a inovação. Este estudo foca na voz promocional, ligada à sugestão de melhorias (Liang et al., 2012), por seu impacto positivo na produtividade e inovação, mediado pela reflexividade (Li et al., 2017; Liang et al., 2019). Já o silenciamento dificulta trocas, gera desengajamento e oculta conhecimento (Chen, 2020). Lideranças atentas à escuta e ao endosso da voz fortalecem ambientes colaborativos (Morrison, 2023).
Metodologia
Este estudo adotou a Análise Temática Reflexiva (Braun; Clarke, 2012), abordagem qualitativa que reconhece o envolvimento ativo do pesquisador na construção do sentido. Foram analisados trechos de entrevistas com líderes educacionais de IES privadas, com foco nos sentidos atribuídos ao não dito. A análise considerou o conteúdo das falas e suas tensões com o expressável, em diálogo com a subjetividade do pesquisador e os contextos políticos das instituições.
Análise dos Resultados
Os resultados mostram que lideranças opressoras comprometem a escuta, levando à ocultação de conhecimento e à perda de confiança. A voz, quando ignorada, perde legitimidade. O cultivo da escuta reflexiva fortalece vínculos e inovação. Ainda assim, muitas organizações falham em sustentar esse espaço. O silenciamento afeta relações, bloqueia saberes e reduz o engajamento. Valorizar a voz promocional, com tempo e diálogo, é essencial para transformar ideias em práticas efetivas.
Conclusão
A reflexividade é chave para dar voz e evitar o ostracismo nas organizações. Líderes podem promover ou silenciar, afetando diretamente o clima organizacional. O silenciamento compromete a saúde relacional e a inovação, especialmente quando há controle psicológico e ausência de escuta. Em contextos marcados pela conformidade, o não dito pode conter o impulso necessário à mudança. Valorizar a escuta ativa e plural é essencial para reverter dinâmicas excludentes e promover pertencimento.
Contribuição / Impacto
Este estudo contribui para o aprofundamento da compreensão crítica sobre os mecanismos de silenciamento organizacional, destacando como o controle simbólico, a ausência de escuta e o ostracismo comprometem a inovação, o bem-estar e a participação dos trabalhadores. Ao propor a reflexividade como estratégia de liderança, a pesquisa amplia o debate sobre a voz nas organizações, apontando caminhos para práticas mais inclusivas e sensíveis ao contexto relacional, com potencial de transformar o silêncio em recurso ético e criativo.
Referências Bibliográficas
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Arain, G. A., Bhatti, Z. A., Hameed, I., & Fang, Y. H. (2020). Top-down knowledge hiding and innovative
Azeem, M. U., Haq, I. U., De Clercq, D., & Liu, C. (2024). Why and when do employees feel guilty about
Bashshur, M. R., & Oc, B. (2015). When voice matters: A multilevel review of the impact of voice
Curhan, J. R., Overbeck, J. R., Cho, Y., Zhang, T., & Yang, Y. (2022). Silence is golden:
Detert, J. R., & Burris, E. R. (2007). Leadership behavior and employee voice:
Morrison, E. W. (2023). Employee voice and silence:
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