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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

INFORMALIDADE E PRECARIZAÇÃO: A REALIDADE DAS MULHERES QUE TRABALHAM POR CONTA PRÓPRIA NO SÃO JOÃO NA ROÇA DE CARUARU-PE

Palavras-chave

Trabalho informal Gênero Festas populares
Agradecimento: As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) pelo apoio, por meio da concessão de bolsa de estudo a uma das pesquisadoras presente no artigo.

Autores

  • Maria Vitória Alves de Oliveira Silva
    Centro Acadêmico do Agreste - CAA (UFPE)
  • JÉSSICA LOPES
    Centro Acadêmico do Agreste - CAA (UFPE)
  • Denise Clementino de Souza
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

Resumo

Introdução

O São João na Roça, parte da maior festa junina do Brasil, movimenta a economia e a cultura de Caruaru-PE, em 2024 movimentou mais de R$ 4 milhões e atraiu mais de 29 mil pessoas nas 13 comunidades rurais da região (Diário de Pernambuco, 2024). No entanto, o trabalho de mulheres autônomas, essencial para o evento, segue invisibilizado. Este estudo investiga suas vivências, revelando contradições entre a celebração popular e a precarização do trabalho feminino, marcada por jornadas extensas, ausência de políticas públicas e sobrecarga doméstica.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Esse estudo tem como objetivo compreender a realidade do trabalho por conta própria de mulheres no São João na Roça de Caruaru-PE, considerando suas condições laborais, impactos na vida cotidiana e estratégias de enfrentamento diante da informalidade e precarização.

Fundamentação Teórica

A análise se apoia em autoras como Hirata (2016), Federici (2019), e outras que discutem gênero e relações de trabalho a partir de uma perspectiva interseccional. As autoras evidenciam como a divisão sexual do trabalho, a sobrecarga reprodutiva e o racismo estrutural reforçam a precarização do trabalho feminino. A informalidade, nesse contexto, é compreendida como imposição estrutural, agravada pela ausência de políticas públicas voltadas às mulheres em contextos periféricos.

Metodologia

A pesquisa adotou abordagem qualitativa, com base em 12 entrevistas semiestruturadas realizadas com trabalhadoras informais atuantes no São João na Roça em 2025. As participantes foram selecionadas por critério de relevância e diversidade de experiências. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo temática, com suporte teórico interseccional e categorias emergentes das falas. Também foi utilizada análise de imagens para examinar a representação simbólica das mulheres na festa.

Análise dos Resultados

As entrevistas revelam que a maioria das mulheres migrou para o trabalho informal após experiências exaustivas e violentas no mercado formal. As jornadas são intensas e acumulam funções domésticas, sem suporte institucional. A presença de violência simbólica, assédio e racismo estrutural é recorrente. Ainda assim, emergem redes de apoio e expressões de orgulho, que funcionam como práticas de resistência e sobrevivência cotidiana.

Conclusão

O trabalho informal é vivido como um refúgio forçado diante da precarização do emprego formal. As mulheres sustentam a festa e geram renda para suas famílias, mas sem reconhecimento, direitos ou infraestrutura. Mesmo em condições adversas, constroem redes de solidariedade e reivindicam sua dignidade. A pesquisa aponta para a urgência de políticas que valorizem e protejam essas trabalhadoras.

Contribuição / Impacto

O estudo dá visibilidade às vozes silenciadas das mulheres trabalhadoras informais e contribui para o debate sobre trabalho, gênero e desigualdades em contextos festivos. Sua principal contribuição é destacar a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de gênero e territorialidade, promovendo justiça social e inclusão nas festividades culturais.

Referências Bibliográficas

Diário de Pernambuco. (2024, 2 de julho). São João de Caruaru bate todos os recordes e tem aprovação do público nos 72 dias de festa. Diário de Pernambuco. https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2024/07/sao-joao-de-caruaru-bate-todos-os-recordes-nos-72-dias-de-festa.html
Federici, S. (2019). O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e lutas feministas. Elefante.
Hirata, H. (2016). Trabalho, gênero e identidade: como pensar a interseccionalidade. Sociedade e Estado, 31(3), 723–739. https://doi.org/10.1590/S0102-6992201631030007

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